quarta-feira, 1 de maio de 2013

Um Ano e um Dia e, enfim, Novidades

Prezados leitores, por fim voltei.

Era obrigação mesmo que eu voltasse hoje. De acordo com o registro da última postagem, hoje faz exatos 1 ano e 1 dia que eu "falei" com vocês pela última vez através desse blog, tirando as mensagens e "desculpas" de atrasos que eu dava nos gadgets das laterais.

Qual 1 ano e 1 dia é o período de reflexão e preparação para Iniciação em várias tradições modernas da Arte, tal foi,  pra mim, de certa forma, o ano que se passou, desde aquele 1º de Maio que postei aqui; mesmo que eu esteja me referindo a um período de reflexão e "retiro" num outro sentido; um sentido espiritual, em vários aspectos mesmo.

Um ano de progressão, resumidamente falando, onde vai poder ser mostrado pra vocês, não somente aqui, mas em livros reais (traduções) o que eu tenho feito durante meu "semi-monástico" 2012.

Poderão perceber que o Cavaleiro está com menos postagens: agora constam apenas 40 postagens publicadas, 20 a menos que antigamente. A razão disso foi, em parte, por uma razão que já explanei aqui: o provérbio de Heráclito, que dizia "a única constante do universo é a Mudança".

Essas 20 postagens que foram retiradas foram, em parte, pelo teor pouco contributivo e em muitos casos até infantil (sim, reconheço) do conteúdo. Postagens que às vezes eram só xingos, ou copia-cola de outros blogs, ou mal-escritas, ou simplesmente textos de egolatria e bobagem vazia mesmo. Entre elas, também todos os rituais que eu criei/adaptei de outros autores, os quais não serão deletados, mas não serão disponibilizados mais aqui, mas talvez num 4shared da vida ou algo assim. Não sei ainda. Mas não os deletarei não. Como houve  quem goste e conseguiu fazer bom uso do meu sistema e dicas, não vou descartar os ritos totalmente do blog. Apenas diretamente, para dar espaço para postagens que abranjam um público maior do que o ritualista.

As postagens pueris estavam no blog ainda porque, como os que me acompanham desde o princípio sabem, eu criei esse blog no dia 9 de setembro de 2009 [09/09/09 - coincidência numérica "cabalística" que só percebi agora (sério!) quando fui arquivar as postagens para análise e reedição], época na qual eu tinha 17 anos, que além de ser tensa como a de todo mundo (por pressão de Terceirão, da necessidade de auto-afirmação da fase de transição entre adolescente pra jovem adulto, etc.) eu inda tinha mais alguns pepinos pessoas na vida que só serviram pra que eu transformasse meu blog em uma das muitas válvulas de escape pro meu Ego explodir sem correr o risco d'eu me queimar junto com ele (sem me tocar, contudo, que era justamente isso que tava acontecendo).

Graças a Deus 21 anos é um término de ciclo. Graças a Deus as transformações dão em algo bom algum dia. Laus tibi, Christe!

As futuras postagens, contudo, não serão longas como as que se costuma ver aqui muitas vezes. Serão bem menores, muitas vezes sentenciais apenas, contudo, todas de minha autoria OU, com alguma explicação de onde eu me inspirei ou sintetizei o que fora escrito. Isso é, em parte, por causa da minha vida no "mundo real", e em parte por questões de reservar o bom mesmo pro final.

Bem nesse clima ainda de Noite das Bruxas, passando agora pelas católicas Festas de Vera Cruz (que existem em algumas regiões do Brasil vão do dia 1 ao dia 3 de Maio), finalizo então, o meu anúncio de retorno à ativa com essas boas novas, e fiquem de olho, não só aqui, mas também nas editoras esotéricas do país.

Aguardem então, povo, porque agora é sério.
Feliz Festas de Vera Cruz a todos vocês - Abrazzos ;D
Eleassar Baldur Rose
i.e., Laércio Esô
Desterro, II Maii 2013 E.V
dies Jovis, sub Luna Sagae

Sol in Tauro
Luna in Aquário

quinta-feira, 1 de março de 2012

Quer ver Deus e o Diabo?


Capa do álbum da banda Brand New - The Devil and God are raging inside me


Queridos leitores,

Vou passar a vocês um poeminha que escrevi a um tempinho atrás (acho que uns três anos atrás, provavelmente), tal qual foi-me "revelado" num insight, meio que um sonho acordado e um devaneio em sono. Espero que gostem:


Quer ver Deus?
Quer ver o Diabo?
Então faça o que muitos
Não costumam ter por hábito:

Vá a um espelho, faça um esforço
E eu lhe garanto que não será sinistrorso:
Fite em seus olhos, e em profunda reflexão
OLHE NO FUNDO DO SEU CORAÇÃO!

Eleassar Baldur Rose
Desterro, sometime around 3361 aR+C






sábado, 24 de dezembro de 2011

Alimente um Santo Inocente



Queridos e preclaros leitores do Cavaleiro Cananeu
Eu, Laércio Esô, que aqui vocês conhecem pelo pseudônimo Eleassar Baldur Rose, faço meu aniversário dia 28 de dezembro, que, ao que alguns cristãos sabem, é o Dia dos Santos Inocentes.
Esse dia foi marcado na história cristã como sendo o dia em que todas as crianças do sexo masculino de Belém foram assassinadas em pedido do rei Herodes, a fim de que o Salvador fosse morto entre elas, após ele saber, através dos reis magos, que ele poderia ser perigoso para o governo romano.

Não sei se o que vou pedir pra vocês agora é um débito cármico, ou se era algo que Deus queria que eu fizesse, só sei que recebi essa ideia poucos dias antes do meu niver de 19 anos, num raro dia em que eu acordei de manhã.

Foi um insight, um flash, que eu recebi após acordar na casa de praia e onde saí pra ver o sol nascendo, enquanto eu pensava o que eu poderia fazer ou pedir no meu niver para que ele pudesse ser notado, uma vez que ele nunca foi muito notado mesmo. Ele acontece três dias depois do Natal e três dias antes do Reveillón (no meio das “boas festas”) e ainda tinha o fato de que eu nunca conseguia todos os meus amigos nas festas que eu fazia porque a maioria viaja nessa época do ano.

Então, a solução me chegou nesse insight. E pra mim à primeira vez me pareceu perfeito, e depois um pouco de raciocínio me fez pôr dúvida quanto a como eu pareceria frente à maioria das pessoas: no mínimo como alguém muito estranho.

Mas aí realizei: eu já sou estranho mesmo, e isso nunca vai mudar! E o que eu vou pedir vai fazer bem tanto pra mim quanto pra quem cumprir, e ainda fará bem a um terceiro que realmente merece sofrer algum bem.

O PEDIDO

O pedido, que de acordo com o insight, era o que eu deveria fazer, e que comecei a fazer a partir daquele niver, e que agora pretendo transformar numa tradição em todos os aniversários que Deus tiver a bondade de me fazer presenciar em vida, eu faço àqueles que geralmente não podem comemorar meu niver comigo, pessoalmente, numa festa, ou churrasco, ou cinema, que geralmente faço pra comemorar. Então eu peço pra eles que, invés de vir me visitar, fazerem o seguinte:

PAGUEM UM ALMOÇO
(E SE DER, UMA JANTA)
A (PELO MENOS UMA)
CRIANÇA DE RUA!

Esse foi o insight. E que desde aquele dia toda vez que peço e me lembro do momento que recebi sinto um frescor no coração.

Meus pensamentos, após receber as críticas ao insight, refletiram melhor, e viram:
Eu não preciso de mais um dia de felicidade na minha vida. Já tive vários. Tenho vários. Vários por ano. Tenho amigos. Tenho comida. Tenho pai, tenho mãe, uma família que me ama, e que eu ainda trato com ingratidão o amor que dão, pra ser sincero. Tenho amor de mulheres, tenho carinho de amigas, companheirismo de amigos, irmãos que tão unidos a mim por juramento e sintonia de pensamento. Porém, a cada dia de felicidade que ganho, passei a perceber que só recebem comigo gente como eu, que também possuem vários dias felizes no ano. O que eu precisava era fazer a minha parte e garantir que haja felicidade, ao menos por um dia, àqueles que REALMENTE merecem ser felizes: aqueles que não tem pai, não tem mãe, não tem família que ame, não tem amor de mulheres, não tem carinho que merecem, a atenção que deveriam ter, não tem companheiros, nem irmãos unidos por laços de sangue ou juramento que possam aguentar viver com eles todo dia.

E Deus sabe que apenas um ajudar não é suficiente. Um só beija-flor não apaga o incêndio da floresta.
Finalmente vi que esse é o significado do dia em que eu nasci. E logo, deve ser esse o meu trabalho e meu compromisso todos os dias que o calendário marcar 28 de dezembro. E, obviamente, queira Deus, não podem também se resumir apenas a esse dia. O máximo de dias possíveis.

Então, amado leitor, quer comemorar o aniversário do Cavaleiro Cananeu aqui? Comemore comigo então, fazendo o que eu pedi. Nada mais. Se quiser me ligar, me mandar um email, um parabéns no Facebook, um beijo, um abraço, um presente, vou aceitar de bom grado. Mas vou sempre preferir então, acreditando, que vocês antes de me mandarem essas coisas que tenham atendido primeiro a esse pedido, antes de me dar parabéns. E sugiro também cada um fazer isso nos seus próprios aniversários, uma vez que daí não seremos só nós os que ficarão felizes no dia que nascemos.

E a principal coisa que acrescento a esse pedido é: não precisa ninguém chegar pra mim depois, no dia 29 de dezembro, pra me dizer: “ó, cumpri teu pedido, fiz o que tu mandou, etc. etc.”

Não, não quero isso.

Uma vez que eu sempre aconselho, em relação à caridade, o conselho mais sábio que ouvi a respeito do tema, que é Daquele que quase morreu em meio aos meninos de Belém graças à tirania romana.

E é com esse conselho que me despeço de vocês agora, com os melhores votos de Bençãos Plenas e boas festas de Natal, Reveillón (e niver também né, se for o seu caso, afinal, também tem gente que nasce junto do niver de Cristo), e na boa fé de que você, sem contar a ninguém, fará aparecer um sorriso na boca de ao menos um santo ou santa inocente no próximo dia 28 (e, obviamente, se der, no máximo de dias da sua vida que você puder):

“Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; Para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que te vê em secreto, te recompensará.”

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Acerca dos "Esquisotéricos"

O pink-wiccan, um dos muitos tipos de esquisotéricos existentes...

Diletos leitores, eu esses dias, como trabalho da facul, tive que realizar uma pesquisa acerca de um estereótipo. Como estereótipo, escolhi aquele no qual eu (e acredito que muitos de vocês) costumo ser catalogado pelos céticos e ateus presunçosos, pelos meus inimigos, e pelos que me criticam sem nem ao menos conhecer meus trabalhos: o conhecido e mau-afamado “esquisotérico”, também chamado pseudoesoterista, misticoide, bruxoide, etc.

Abaixo, vou passar pra vocês links das pesquisas que realizei, com excelentes textos e artigos que lidam com esses difamadores (a maioria inconscientes da parte deles) do Esoterismo. Lá vocês encontraram meios de identificar todo tipo de gente esquisotérica, como os “doidos quânticos”, os “pink-wiccans”, os “árvores-de-natal-ambulantes”, os “ufólatras”, os “pollyanas”, os “franksteinianos”, os “buquês de Bach”, etc.

Espero que aproveitem a leitura, eu adorei cada linha desses textos, principalmente os que tem toque de bom humor neles.

l http://members.fortunecity.com/entremundos1/p_esquisotericos.htm

l http://animuslibertus.wordpress.com/tag/esquisoterico/

l http://cethrio.vilabol.uol.com.br/modelos/arqs_pensamentos/arqs_pensamentos9991.htm

l http://www.alumiar.com/literatura/46-texto/121-osesquisotericoseanovaera.html

Enjoy lavishly

Bençãos plenas

Eleassar Baldur Rose

28 Novembris 3364 aR+C

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Glossário Baldur-Rosiano de Bruxaria


Diletos leitores, obviamente eu não poderia deixar o amado Dia das Bruxas passar batido sem uma postagem. E devido à excelência do dia, não poderia dar uma postagenzinha qualquer. Então, apressei meus trabalhos e trouxe pra vocês o prometido “Glossário Baldur-Rosiano de Bruxaria”, que é um dicionário de autoria totalmente minha tendo por base meus estudos de mais de 5 anos nas artes proibidas. Este glossário aqui foi em grande parte baseado no livro Mastering Witchcraft, de Paul Huson, livro o qual traduzi. Com a devida permissão do autor, eu tomei a liberdade de incluir termos novos a fim de expandir o glossário do livro que estava muito pequeno e com poucos termos. Então, antes de postar, gostaria de dizer que o glossário que fiz pra este blog está bem diferente do glossário do livro, uma vez que eu tive permissão pra acrescentar termos, não pra postar. Logo, o glossário é BASEADO no glossário do MW, e foi feito tomando como fonte não só no livro do grande Huson, como também em muitas grandes obras do esoterismo. Espero que gostem então, amados. ^^

Bençãos Plenas

Eleassar Baldur Rose

Desterro, Dia das Bruxas de 3364 aR+C

A

Adepto – Alguém que chegou ao nível máximo em alguma ordem esotérica. Comumente diz-se que a frase “eu sou um adepto.” nunca sai da boca de um adepto de verdade, e somente em raras ocasiões como confirmação, e nunca como afirmação. “Por quê?” - Questionam os céticos. Aí eu lhes pergunto: dizer pra quê? Pois o único motivo de dizer que é um adepto (mesmo que seja só para confirmar uma pergunta de outrem) não passará de reles vanglória ou, como dizem por aí, “para se aparecer”. E como um adepto já abandonou desejos fúteis de um ser humano comum e hilético (que só querem saber de conseguir status para ganhar mais dinheiro e meios para se indulgenciar em prazeres quaisquer) o adepto já adquiriu sabedoria suficiente pra deixar de se interessar por coisas banais como glória pessoal, riquezas, etc.

Ádito – Trata-se da ala secreta ou guardada dos templos da antiguidade onde só os sacerdotes e os iniciados poderiam entrar. É o “Santo dos Santos” do paganismo, o equivalente pagão da sacristia. Usualmente no ádito eram mantidos relíquias ou um símbolo que representasse a profundidade e eternidade dos assuntos espirituais. Os templos romanos da Deusa Vesta, por exemplo, mantinham a Chama Vestal sempre ardendo no ádito. O mesmo faziam os zoroastrinos nos templos de Ahura Mazda. Hoje em dia, algumas tradições de bruxaria consideram o ponto no centro do círculo como o ádito moderno, e outras, geralmente italianas, mantém uma chama sempre ardendo nos áditos de seus templos e bosquetes sagrados.

Adivinhação – Divinação. Divinação é um termo mais bonito e mais próximo à origem da palavra latina, que é a raiz etimológica do termo: divinare. Isto é, agir de forma divina, pois prever o futuro era considerado um ato de divindade.

Adverso – Sombrio, ou maligno, geralmente aplicado à magia popularmente tida como negra, numa linguagem mais formal. Seria magia usada para provocar dano em outrem ou em algo.

Agoureiro (a) – Aquele (a) que anuncia, lê ou interpreta agouros; áugure, adivinho (a), vidente, vate.

Agouro – Qualquer presságio, vaticínio, ou prognóstico, que na concepção do leigo refere-se em geral aos prenúncios aeromânticos, ou seja, os tirados pelo voo dos pássaros ou pela forma e posição das nuvens.

Albion – nome mítico e arcaico para a Inglaterra, e de forma genérica, para a Bretanha.

Além do Véu – O “Véu” citado aqui trata-se da fronteira entre o mundo material e o imaterial. Ir “Além do Véu” ou “Para lá do Véu” seria ir para o outromundo, seja pela morte, por sonhos ou por projeção psíquica (ver). Dizem as bruxas que o véu se torna mais tênue no período entre o final de outono e o começo do inverno, que no hemisfério norte é marcado o Dia das Bruxas como sendo o ápice, e portanto a melhor época para trabalhos de necromancia e conjuração de espíritos e entidades.

Alexandrino (a) – Pessoa iniciada na popular tradição de Wicca fundada por Alex Sanders (1926-1988), conhecido também como o King of the Witches ou Rei dos Bruxos. A tradição alexandrina é uma mistura de Wicca gardneriana (ver Gardneriano), cabalá, magia cerimonial, enoquiana, e simbolismo egípcio antigo e não aceita auto-iniciação como válida para ser um membro de sua tradição.

Alinhamento – Processo de identificação mental com alguma pessoa ou símbolos apropriados a um feitiço dentro de operação de magia. Um bom método de se alinhar para um trabalho mágico é utilizando os ditos quadrados mágicos dos planetas. Assim, para trabalhos de malefício, usaria-se o quadrado de Marte, para trabalhos de amarração, o de Saturno, para de amor, o de Vênus, e para divinações, o de Mercúrio.

Alráune – É a tradução de Alraun, uma imagem talismânica de uma pessoa feita com de um galho de sorveira-brava. Huson (1971) ensina o método tradicional de prepará-la para servir como “familiar”, “magistellus” ou protetor do lar do feiticeiro no capítulo V do Mastering Witchcraft, juntamente com a mandrágora, que é outra excelente magistellus de proteção caseira. Aliás, tais trechos eu recebi a permissão do Huson para postar neste blog. Pesquisem nas tags sobre “alráune” e enjoy!

Alta Magia – Existem várias concepções de alta magia, assim como de baixa magia, entre os feiticeiros em geral. Para uns, nem existe tal distinção entre magias, pois eles a veem como tão repreensível quando dizer que magia possui cores, como branca e negra. A distinção mais comum é que a alta magia ou magia superior (em inglês, high magick) seria a dita magia cerimonial, a com uso de ferramentas específicas e especialmente preparadas para tal, como Atames, bolines, cajados, pentáculos, sigilos, etc. ritualística precisa, detalhada, rígida, cuja preparação para tal pode levar dias ou talvez até semestres, regras que não podem ser alteradas ou quebradas, como horários-chave, procedimentos de segurança, etc. O ritual de Vassago e os de necromancia encontrados neste livro são exemplos de rituais de alta magia. Baixa magia ou magia inferior (lesser magick, em inglês) seria uma forma de feitiçaria mais primitiva, feita muitas vezes sem uso de ferramentas mais nobres como espadas, bastões, tabardos, pentáculos, etc., utilizando-se em vez disso de ossos, plantas, sementes, pedras, etc. com alguns rituais sequer precisando de um círculo para serem realizadas, tampouco horários rígidos para execução, ou ordens dogmáticas de procedimento, como o Feitiço do Salgueiro, o Feitiço do Coentro, e os feitiços listados na seção de fascinação neste livro. No entanto, entre esoteristas não-bruxos, o termo Alta Magia em si refere-se geralmente à magia hermética, gnóstica, cabalista, angélica ou enoquiana também chamadas de Magia Sacra (ver).

Altanor – Colina com um poço. Muito comuns pela Europa rural e muitas vezes usadas como covenstead pelos feiticeiros europeus.

Altar – Geralmente trata-se da mesa usada para prática mágica, posta no centro do círculo ou no quadrante norte ou leste. Alguns bruxos inclinados à Gnose e a crenças solares pagãs o põem virado para leste por ser o local do nascente, a origem da luz. Outros de outras vertentes, como as inclinadas a Cabalá o põe para o Norte por ser o local das trevas espessas, dita ser o local do trono de Deus dos hebreus, o conhecido Senhor dos Exércitos ou Adonai Sabaoth (Como diria I Reis 8:12 – “Então falou Salomão: O SENHOR disse que ele habitaria nas trevas.” (repetido em II Crônicas 6:1) e Isaías 14:15 – “Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte.”

Âmbar das Bruxas – Apelido que as bruxas dão à pedra azeviche, a qual dizem ser um amuleto equilibrador e protetor contra negatividades a ser usado pelo feiticeiro durante projeções psíquicas (ver).

Amém – Palavra de conclusão ritualística e oratória nos dias atuais, usada em geral pelos cristãos, hoje diz-se que significa “assim seja”. No entanto, indo de volta no tempo, descobre-se que a palavra tem origem no hindu “Aum” ou “Om”, o som primordial do universo. Através dos Cultos de Mistério, o nome passou para o Egito, onde se tornou a raiz de várias divinidades ligadas à luz e ao sol, como Atom, e Om (ver exemplos de existência do último na Bíblia em Gênesis 41:45, 41:50 e 46:20) e, em especial, Amom, o qual com o tempo se passou a se chamar Amém, que era o Deus-Carneiro, Deus da Fecundidade e símbolo de toda a Natureza e seus ciclos em sua forma bruta e desconhecida aos homens, o que levou o Deus a ser apelidado de “o Oculto”. Os egípcios criam que pronunciar o nome do Deus Oculto após orações e rituais era uma forma de testificar a natureza da continuidade e evolução das coisas. Alguns iniciados então em alguns cultos passaram a pronunciar então “Amém” junto com “Rá”, o nome do Deus-Águia, Senhor da Luz e Revelação, para assim testificar simbolicamente um velho ensino esotérico, o qual um dos Grandes Iniciados do Mundo certa vez descreveu da seguinte forma: “Porque não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz.”– Lucas 8:17.

Amuleto – Também chamados de “mandracos”, trata-se de um objeto qualquer tido pelos antigos ou por uma cultura como portador de boa-sorte ou proteção contra um malefício específico, como o olho-gordo ou mau-olhado. Exemplos incluem o pé-de-coelho, a holy-stone ou pedra-santa inglesa (que nada mais é do que uma pedra qualquer com um buraco no meio), a pedra-da-cruz ou estaurótida, o siderito ou magnetita, entre outros. O cristianismo até hoje preserva a tradição dos amuletos com as típicas medalhinhas dos santos, como a medalhinha de Nossa Senhora do Monte Carmelo, os escapulários da Bem-aventurada Virgem Maria, entre outros.

Anátema – Oferenda feita a uma divindade antiga que era pendurada num templo. Após a ascensão cristã a palavra foi usada pela Igreja de Roma na fórmula para excomungar os hereges da fé católica.

Ancião – (traduzido do inglês “Elder” e “Senior Crafter”) Normalmente um homem acima dos quarenta anos, iniciado, e com pelo menos vinte anos de experiência em magia, e toma o papel de conselheiro nos conventículos.

Anel de Fadas – Em tempos arcaicos, trata-se de uma marca circular feita na grama, podendo ser um círculo de grama verde-escuro, ou um círculo de cogumelos. As lendas da Europa Antiga diziam que eram nestes círculos que as fadas se reuníam, e portanto, não deveriam ser pisados, adentrados ou perturbados de forma alguma, sob risco de trazer séria má sorte ou desgraça ao infrator, e naquele tempo, diferente de hoje, as fadas tinham fama de serem bem violentas e cruéis com quem as ofendia. Casos de morte violenta, como ser estraçalhado por animais selvagens, por exemplo, eram atribuídos à vingança das fadas em algumas ocasiões.

Antigos – Um termo comum usado pelas bruxas para se referir aos arquétipos da bruxaria, como Tubal-Caim, Hécate, Lúcifer, Azazel, que compunham o que os romanos chamavam de Magici Dii ou Deuses dos Magos. Muitas bruxas veem os deuses antigos da magia e da feitiçaria como uma versão pagã das lendas narradas do livro de Enoque, onde diz-se que a magia surgiu através do ensino dos anjos caídos às filhas de Caim, com quem tiveram filhos, e tais filhos são tidos hoje como os bruxos hereditários, os detentores do sangue-bruxo, que em versões pagãs se iguala aos que se diziam ter sangue-élfico ou sangue-de-fada, sendo os elfos e as fadas também por sua vez versões pagãs dos anjos caídos.

Ara – Antigo nome latino para altar, utilizado hoje em dia para definir os altares de sacrifício de animais das religiões pagãs e de bruxaria; também qualquer altar dedicado a sacrifícios, sejam literais, ou simbólicos, como ocorre, a exemplo de simbólicos, durante algumas maldições, onde a imagem da vítima é de fato consagrada, oferecida e “sacrificada” simbolicamente aos Deuses das Trevas em prol de se efetuar alguma vingança ou justiça. O termo hoje em dia vê-se muito usado na expressão “pedra-de-ara”, que é a pedra dentro da qual tem a relíquia de algum santo num altar de catedral católica.

Aríolo – ver Haríolo.

Arcano – Fórmula ritualística, processo ou conhecimento esotérico e secreto. Também usada para denotar um baralho de cartas de Tarô, com o Arcano Maior, sendo os “trunfos” numerados de 0 to 21, e o Menor sendo as 56 cartas “naipe” e “paço”. O termo surgiu de uma sociedade guerreira dos tempos romanos denominada “Arcani” (plurar de Arcanus), que eram um grupo secreto de soldados do Império Romano que se vestiam com armaduras negras e máscaras, e alguns os têm como os “ninjas de Roma”.

Arquétipo – De acordo com Carl Jung, em seu livro Arquétipos e Inconsciente Coletivo, para explicar o conceito de arquétipo, primeiro torna-se necessário explicar resumidamente o que é Inconsciente Coletivo. Para Jung, “A princípio o conceito do inconsciente limitava-se a designar o esta­do dos conteúdos reprimidos ou esquecidos. O inconsciente, em Freud, apesar de já aparecer - pelo menos metaforicamente - como sujeito atu­ante, nada mais é do que o espaço de concentração desses conteúdos es­quecidos e recalcados, adquirindo um significado prático graças a eles. Assim sendo, segundo Freud, o inconsciente é de natureza exclusiva­mente pessoal. muito embora ele tenha chegado a discernir as formas de pensamento arcaíco-mitológícas do inconsciente. Uma camada mais ou menos superficial do inconsciente é indubita­velmente pessoal. Nós a denominamos inconsciente pessoal. Este porém repousa sobre uma camada mais profunda, que já não tem sua origem em experiências ou aquisições pessoais, sendo inata. Esta camada mais pro­funda é o que chamamos inconsciente coletivo” [...] “Uma existência psíquica só pode ser reconhecida pela presença de conteúdos capazes de serem conscientizados. Só podemos falar, portan­to, de um inconsciente na medida em que comprovarmos os seus conteú­dos. Os conteúdos do inconsciente pessoal são principalmente os com­plexos de tonalidade emocional, que constituem a intimidade pessoal da vida anímica. Os conteúdos do inconsciente coletivo, por outro lado, sào chamados arquétipos”. Basicamente, seriam a fonte simbólica no qual se baseiam as egrégoras (ver) formadas pelo Homem.

Aspectos – (ver Arquétipo e Egrégora primeiro) Se egrégoras podem ser consideradas como “emanações” de arquétipos, os aspectos, ou “faces” de um ente sagrado, seriam as “emanações” de uma egrégora em particular, ou uma visão de duas egrégoras como uma só. Eles podem surgir dentro de uma única cultura, ou, mais comumente, em áreas onde duas fés diferentes co-existem, cada uma possuidora de deuses (ou quaisquer entes sagrados que sejam) que compartilhem características semelhantes com os entes sagrados da outra cultura, que provocará inevitavelmente o que os antropólogos e sociólogos chamam de sincretismo. Resumidamente, o relacionamento com os aspectos é semelhante ao relacionamento que os católicos tem com a Virgem Maria. Santa Maria, na cultura católica, é uma só, no entanto, os católicos muitas vezes dirigem-se a ela por vários títulos diferentes, cada um relacionado a tratamento de uma questão em particular: Nossa Senhora Desatadora dos Nós, por exemplo, é vista como a Virgem no papel da resolutora dos problemas da humanidade. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro seria a Virgem no papel da eterna socorrista para questões de vida ou morte da humanidade. Cada um destes títulos é um aspecto, sendo o conjunto deles um exemplo dos vários aspectos que o povo atribui a um único ente sagrado. Este é o exemplo de aspectos dentro de uma mesma cultura. Os aspectos inter-culturais podem ser exemplificados pelo deus Mercúrio. Quando Roma passou a exercer domínio nos países da Gália e da Germania, os deuses romanos foram inevitavelmente sincretizados com as divindades druidas. Assim, Mercúrio, que compartilhava características semelhantes com o gaulês Beleno, passou a ser visto como um só, chamado Mercurius Belenus. Mesmo caso com o deus romano da guerra Marte, que tendo semelhanças com o deus gaulês das lutas Teutatis, passou a ser visto como o Mars Teutatis. No Brasil, um país cheio de religiões sincréticas, isso ocorre também, onde muitos bruxos poderão atestar o quanto muitos católicos e umbandistas sincretistas não conseguem distinguir a Virgem Maria do orixá Iemanjá, vendo a santa mãe de Deus e a deusa africana do mar como uma só, mesmo que a primeira seja cristã, e a segunda pagã.

Atame – (aportuguesado do inglês Athame, tendo pronúncia que pode variar desde Átame, a Atâme e Atchâme e até mesmo Artâme, Artchâme ou Artchamé) Faca ritual de cabo preto. A origem dela remonta ao velho e conhecido grimório medieval Clavícula de Salomão e Chave Maior de Salomão. De forma paradoxal, alguns bruxos têm a crença que o Atame nunca deve ser tocado por sangue, quando na verdade a própria origem do uso do termo atame pode ter vindo do árabe e significa justamente “coletor de sangue”. Hoje em dia, em grupos wiccanos, a faca é usada como um equivalente da espada, e geralmente é usada apenas para ser brandida diante de entidades para dominá-las, não sendo usada para trabalhos mais banais como cortar velas ou galhos, deixando essa função para o “boline” (ver).

Aterramento – Termo usado na bruxaria para denotar a neutralização da energia mágica adquirida no ritual. Os métodos mais simples e comuns incluem incensar o mago ou maga com fumaça de sálvia queimada, enquanto ele ou ela senta-se no chão com a base da coluna pressionada contra uma árvore e coloca as palmas das mãos sobre a terra, fazendo longas e lentas expirações e inspirações decrescentes. Um mago ou maga também podem aterrar a energia enquanto tomam banho, visualizando as energias ruins saindo do corpo lavado pela água, e sumindo no escoadouro.

Atrair a Lua (ou o Sol) para Baixo – (do inglês “drawing down the moon” ou “the sun”) Ritual wiccano para canalização e incorporação da Deusa-Mãe da Lua na alta sacerdotisa (no caso da lua) e para canalização e incorporação do Deus Chifrudo do Sol no alto sacerdote (no caso do sol).

Áugure – Agoureiro (ver). Áugure é o termo mais original, vindo do latim augur, que eram os sacerdotes especializados em ler prenúncios aeromânticos, geralmente de Júpiter, o Deus Supremo de Roma.

Avalon – nome antigo e mítico para a área ao redor de Glastonbury Tor, em Somerset. Significa “ilha das maçãs”, ou submundo.

B

Báculo – Comumente refere-se ao bastão episcopal, usado pelos bispos católicos, que nada mais é do que uma adaptação cristã dos pontífices pagãos, que também andavam acompanhados de um cajado, símbolo do seu poder e de sua influência. Em Bruxaria refere-se ao bastão mágico, também chamado bastão de conjuro ou cajado. Trata-se de uma vara grossa que deve ter o comprimento do cotovelo à ponta do dedo médio do seu dono feiticeiro. O cajado deve ter pelo menos 1,65 mais o comprimento do cotovelo ao dedo médio do portador e geralmente é usado em rituais de fertilidade. O bastão comum é usado para rituais de adivinhação e podem substituir o Atame em alguns casos. Um outro nome para o báculo é verendo.

Baixa Magia – ver Alta Magia.

Bagata – Feitiçaria, bruxedo ou sortilégio.

Balefire (pronúncia: Bêiel fáire) Um termo arcaico para a Fogueira central do Círculo de Magia durante os festivais de bruxaria. Também denota a lareira, ou o Caldeirão com fogo dentro, quando o ritual é realizado dentro de casa.

Ban- ver “Dar um Ban

Bane (bêine) Termo feiticeiro para droga ou toxina. É usado para se referir às ervas venenosas, muito comuns na bruxaria, como a cicuta ou a erva-de-santo-estevão. Também pode se referir a qualquer coisa tóxica, nociva ou destrutiva. Além de ser um termo mais curto para o ritual de exorcismo e purificação (no entanto, mais de objetos e lugares do que de pessoas).

Barrow(pronúncia: bérol) É uma colina usada como túmulo entre os celtas e os pictos. Os pictos são o povo do qual surgiram as lendas dos elfos. E os celtas são os que lançaram nas lendas o que se conhece como sendo as fadas. Em tempos modernos, os barrows estão entre os lugares preferidos para realizar um festival de bruxaria, ou Sabá moderno.

Beltane – Termo gaulês para o festival pagão do dia 30 de abril, que entre eles era comemorado com muitas fogueiras e velas, para marcar o ápice da primavera e convocavam-se assembleias para benzer os animais do povo com os fogos. O ritual era feito passando cada animal entre duas fogueiras, para limpá-lo das influências negativas e para que ele recebesse a graça de Bel, ou Beleno, o deus gaulês do sol.

Bentinho – Escapulário.

Benandanti – Palavra italiana, refere-se a certos magos italianos medievais, também chamados os “good walkers” ou os “andarilhos do bem”, que travavam batalhas espirituais noturnas com bruxas, as quais eles se referiam como as Malandanti, ou “andarilhas do mal”, acreditando que estas destruíam as colheitas pela feitiçaria, principalmente durante os períodos conhecidos como “têmporas” (ver).

Ben Elohim – Nome hebraico para os Anjos Caídos ou Vigias, os Antigos Deuses das bruxas, que significa “filho (s) de Deus”. Os Anjos Caídos também eram chamados “ben shamayim”, que significa “filho (s) do céu”.

Besom – literalmente é “vassoura” em inglês; porém é o nome arcaico para a vassoura das bruxas (broomstick). Tradicionalmente era feita de uma vara de freixo e uma escova feita de vidoeiro, amarrados com cordas de salgueiro-chorão. A Wicca moderna possui um cântico relativo à besom.

Bigghes – Joias feiticeiras oficiais, as principais do conventículo ou do alto sacerdócio.

Blasting Rod – Literalmente, “cajado explosivo” ou, em boa tradução “cajado maldito”, trata-se de uma estaca ou bengala de abrunheiro, usada para rogar pragas.

Boa moça ou Boa mulher – (Do inglês Good Lady) termo medieval para as bruxas que trilhavam seus caminhos com as Deusas Diana ou Húlda. As mulheres que tinham consórcio com as fadas também eram chamadas assim, até a chegada do cristianismo. Joana d’Arc foi uma das mulheres acusadas de ter consórcio com as fadas, e na visão dos de fora do clero, ela era uma “good lady”.

Bode de Mendes – Hoje em dia, um termo sinônimo para Baphomet, em referência à deidade adorada na cidade egípcia de Mendes, que na verdade não era um bode, mas um carneiro, que sabe-se que era o Deus Khnum (pronuncia-se Râ-Nu-Mum), um Deus bissexual e andrógino de fertilidade e fecundidade, guardião do Nilo, que alguns textos antigos egípcios dizem ser o “pai dos pais e mãe das mães”, ou seja, o criador da humanidade, a qual diz-se que foi através do modelar de argila, e era casado com a Deusa Nuit, a Senhora das Sete Estrelas e tida por alguns como a Deusa Primordial, anterior até mesmo à Ísis.

Bokor – Termo haitiano para feiticeiro vodum que não faz parte do sacerdócio. Um que não é um houn’ gan, como são chamados os sacerdotes voduns.

Bom Povo – do inglês GoodFolk, termo tradicional para as fadas. As fadas nada mais são do que a versão celta dos anjos caídos ou espíritos do ar e do céu, pois os que se julgava-se ser descendentes das fadas possuíam as mesmas características daqueles que hoje se diz que possuem o “sangue-bruxo”.

Boline – Faca de cabo branco, utilizada pela primeira vez em rituais a partir do lançamento dos grimórios Chave Maior de Salomão e Clavícula de Salomão. Geralmente o boline é em formato de foice e uns supõe que a origem da foice como boline em rituais de bruxaria tenha vindo dos druidas.

Bonífrate – Nome alternativo para títere ou boneca vodu.

*Boschetto – (pronúncia: “bosquêto”) Conventículo entre as bruxas italianas. Traduzido significa “bosquete” ou “pequeno bosque”, pois os rituais delas comumente aconteciam nesses lugares, devido à forte influência do paganismo diânico.

Brebe

1- Sachê de ervas

2- Bentinho (ver)

Brígite- versão cristianizada da Deusa Brígida, dos gauleses. Praticamente todas os temas que eram conectados com essa deusa passaram pra santa católica Brígite, incluindo o dia do festival em honra a ela (2 de fevereiro) no qual antes era comemorado como o Imbolg, a época da lactação dos animais na Europa, e hoje comemora-se a Candelária.

Brownie – (pronúncia: bráuni) Literalmente é um tipo de bolo na língua inglesa, mas na tradição feiticeira trata-se de um espírito domesticado para ser guardião de uma casa ou lugar.

Bruxedo – Feitiço (ver)

Bruxo (a) – É uma palavra bastante difícil de definir. Resumidamente, um bruxo pode ser resumido pelo meu artigo Witch – Minha Definição Pessoal (Cavaleiro). A tradução pro inglês witch é desprovida de gênero, logo, witch pode ser tanto masculino quanto feminino, apesar de hoje em dia a palavra ser mais usada para o feminino, e deixando o masculino ser definido pelo vocábulo warlock (ver).

Bruxo (a) Cinzento (a) – Praticante da Arte que usa tanto de maldições quanto feitiços benéficos, dependendo da ocasião e dos próprios objetivos. Pode-se até dizer que o bruxo cinzento é a verdadeira natureza de um bruxo honesto consigo mesmo e com os outros, livre de laços hipócritas, hipocrisia esta responsável pela criação de rótulos segregacionistas como “bruxo branco” e “bruxo negro”, tendo “mago branco”, “mago negro” e “mago cinzento” como seus equivalentes na Senda da Alta Magia.

Bruxo (a) Hereditário (a) – Qualquer nascido dentro de uma família de bruxos, que possui o chamado “sangue-bruxo”, e que recebeu a Arte via sangue, palavra e juramento. Os que são adotados em famílias de bruxos chamam-se bruxos tradicionais.

Bruxo (a) Solitário (a) – Bruxo que trabalha sozinho ou somente com a ajuda de um parceiro mágico, como um espírito-guia. Benzedores e rezadores podem ser classificados como bruxos solitários, na maioria dos casos.

Bruxo (a) Tradicional

1- Pessoa pertencente a um grupo ou tradição anterior à Wicca moderna de Gardner, como a Via Vera Cruz brasileira, e os Toad-Witches (literalmente Bruxos-Sapos) ingleses, e também não aceitam definitivamente auto-iniciação como uma entrada válida às suas tradições.

2- Conventículo ou bruxo solitário que segue uma senda tradicional.

*Bull’s Noon – (pronúncia: bús-núm) Trata-se de um nome feiticeiro poético para a meia-noite. Bull é touro, e noon é meio-dia. Traduzido fica algo como “Meio-dia do Touro” ou “Tarde do Touro”.

Búrin – Faca de cabo branco, tipo um boline, usada para propósitos práticos como gravar sigilos em uma vela ou cortar ervas na horta. Algumas tradições excluem-na das ferramentas básicas, usando apenas o Atame para tudo relacionado à feitiçaria, seja na área prática ou área mágica.

C

Cabalá

(1) Corpo de tradições enraizando das tradições caldeias e mesopotâmicas, mais tarde incorporadas dentro de certos textos rabínicos, tornando-se a tradição esotérica do judaísmo. Ela divide o conhecimento de Deus em dez caminhos, chamados Sefirotes, pelos quais o cabalista atravessa para alcançar a sabedoria. É dito que o Apocalipse e o Gênesis são os livros mais cabalistas que se podem achar na Bíblia.

(2) Processos mágicos práticos derivados da cabalá, como o Ritual do Pentagrama.

Caborje – Feitiço de amarração, ligatura. Ou, alternativamente, feitiço de fechamento de corpo contra influências alheias, pois a palavra “caborje” originalmente exprime uma ideia relacionada à privação ou impedimento.

Caborjeiro – Feiticeiro que usa de caborjes.

Caborjudo

(1) Pessoa vítima de caborje, amarrada por feitiçaria.

(2) Popular e paradoxalmente, é uma pessoa que, por feitiçaria, teve o corpo fechado para influências externas, ou seja, que está magicamente protegida contra encantamentos alheios, malefícios e amarrações.

Cálice – Taça mágica usada para filtros e libações em bruxaria, e simboliza o Santo Graal, que é, o útero, a origem de tudo.

Caminho Gasto pelo Uso – Termo antigo europeu que se refere a tudo que já apareceu antes, para o acúmulo de conhecimento e sabedoria dos nossos ancestrais, os quais devem sempre ser mantidos adiante pelos seus descendentes. Pois como diria o Hava Maal, um livro sagrado dos vikings, atribuído ao Deus Odin, “Pastos e moitas crescem rapidamente em vias não transitadas”.

Caminhos Antigos – ver Vias Velhas.

Candelária – Nome cristão para o festival do dia 2 de fevereiro (ver Brígite).

Canjerê – Sinônimo de feitiço, no entanto mais usado para os feitos por culturas africanas ou afro-descendentes, como a quimbanda, mas que pode significar também local de reunião de religiões afro (terreiro), bem como suas danças rituais.

Casal Perfeito – Na Wicca é um termo para um casal de namorados que, embora não sejam casados oficialmente, “no juiz”, vivam e morem juntos já a um certo tempo. Essa moda tomou muita força durante os anos 70, devido à contra-cultura hippie, junto com a qual a Wicca floresceu nos EUA e em outros países da Europa e das américas. Alguns wiccanos, como a família Zell-Ravenheart, vivem o que hoje se define como poliamor. A família é formada por seis membros, homens e mulheres, todos casados entre si, que é um dos primeiros casamentos sêxtuplos da história.

Castelo da Rosa – o domínio do submundo da Ceifera, ou Deusa Sombria.

Ceifera – Termo moderno, usado por alguns wiccanos, para se referir à Deusa em seu aspecto sombrio e maléfico, e também à lua nova. Ela é excluída pelos wiccanos mais “brancos”, por achar que trevas não são parte da natureza da Natureza e que deveriam, portanto, ser evitadas.

Chifre Italiano – Talismã que simboliza a fecundidade e as proezas sexuais. Geralmente ele é confeccionado com aparência de um pequeno chifre e levemente parecido com uma serpente, feito de ouro ou prata. A tradição mágica conta que ele na verdade é projetado para se assemelhar ao pênis dos bodes, uma vez que bodes são símbolos muitos antigos de fertilidade e fecundidade, e desde longa data têm sido muito conectados à bruxaria, por serem, diferente das ovelhas, muito independentes e auto-suficientes, coisas que as religiões opressoras abominavam.

Cimaruta – É um antigo amuleto de bruxas de origem etrusca, e serve dizer que o portador é iniciado em alguma tradição de bruxaria. Mencionada pela primeira vez no século XIX por folcloristas, o corpo do amuleto é o galho da erva arruda, no qual pendura-se na (s) ponta (s) diversos outros símbolos feiticeiros que significam algo para o portador. A palavra italiana cimaruta refere-se à parte mais alta da erva arruda, que era usada pelos etruscos e mais tarde pelos romanos em rituais de magia. Os talismãs mais comuns utilizados junto com a cimaruta são o peixe, a serpente (Que, quando enrolados ao redor de uma lua crescente, são símbolos da Deusa Prosérpina, a Rainha do Inferno), a chave (em geral qualquer chave velha, que é símbolo do saber que abre outras realidades, e conecta-se tanto à Prosérpina quanto à Hécate, Deusa da Feitiçaria), a espada (que é uma evolução da flecha, que era um símbolo do poder da Deusa Diana, Rainha das Bruxas), a flor de verbena (símbolo de proteção e que conecta as bruxas com as fadas e à Diana em Seu aspecto de Rainha das Fadas), e, por fim, o galo (que representa Diano, ou Lúcifer, o consorte de Diana, e Seu poder de banir o mal e as trevas com Sua Luz).

Cíngulo – Cinta ou corda de bruxa. Deve-se perceber que o cintural dos bispos e papas também se chama cíngulo. Mas não é porque a Igreja adaptou dos pagãos desta vez. O termo é latino, e significa cinto mesmo, seja usado para propósitos religiosos, seja para propósitos vulgares.

“Coceira de Prometeu” – ver Quatro Virtudes Herméticas.

Coisa-feita – Sinônimo popular para feitiço e feitiçaria (ver).

Compass – Literalmente em inglês quer dizer “bússola”, mas também é um nome tradicional para o círculo mágico e seus quadrantes.

Companhia Oculta – do inglês Hidden Company, que são bruxos desencarnados que se mantêm presos aos laços da terra como espíritos-guias.

Conciliábulo – Um outro nome em português para conventículo (ver), no entanto mais comum entre conventículos de bruxaria tradicional.

Conclave Profano – Conventículo (termo dos tempos da Idade Média, que hoje significa reunião eclesiástica, mas naquela época a reunião de feiticeiros era chamada de “o conclave profano” ou “o conclave herege” pelos inquisidores)

*Condensadores – Substâncias mágicas que conservam cargas ocultas de energia condendasa. Parecem com óleos, mas seu uso e influência é mais variado. Um condensador pode ser qualquer líquido carregado magicamente. A vantagem do condensador sobre o óleo é que o primeiro seca e evapora mais rápido. São melhores misturados com outros líquidos, e são absorvidos facilmente por superfícies secas. Podem incorporar mais ingredientes simbólicos do que óleos, e assim, são mais úteis em trabalhos mágicos em geral. Os condensadores são usados como se o mago empregasse óleos para propósitos mágicos.

Cone de Poder – Energia coletiva erguida pelo conventículo unido dentro do círculo de magia, que é concentrado e então é lançado, seguindo de acordo com um plano previamente decidido, como uma cura, uma praga, uma amarração, uma benção, etc.

Congresso de Bruxas – Nome folclórico brasileiro para se referir ao sabá de feiticeiros, especialmente em áreas onde a cultura açoriana é bem marcante, como o litoral de Santa Catarina.

Conjuração – Ato de chamar um demônio, elemental, deus ou espírito. Fazer subir. Em inglês, to summon e to conjure são os dois equivalentes. E conjuro vale tanto para invocação quanto evocação.

Conjurador - Oficial (ver)

Contato – Instrutor do conventículo, que pode ser um demônio, um finado ou um "deus". O Contato é para o conventículo o que o espírito-guia seria para o bruxo solitário.

Conto da Vovó – Também História da Avó, ou mais popurlamente, “papo da vovó”, é uma gíria usada na atualidade entre bruxos para indicar uma narrativa duvidosa de alguém acerca de sua suposta linhagem hereditária de bruxaria. Durante a década de 60, quando a bruxaria passou a se tornar mais popular, muitos charlatães e pessoas com necessidade de atenção surgiram dizendo ser bruxos hereditários, e geralmente alegavam que foram suas avós que lhes ensinaram a Arte. Geralmente essa tal avó já estava morta e não mais disponível para responder perguntas ou fornecer evidências da sua linhagem. O termo então passou a significar qualquer alegação duvidosa de hereditariedade feiticeira, mesmo que sejam usadas as tias, a mãe ou seja lá quem for no lugar da “vovó bruxa”.

Conventículo – Um nome em português para coven (ver).

Convocador – Um outro nome para o Oficial, como pode ser traduzido do original “summoner”. (ver)

Cornígero – Um outro nome possível para o Deus Cornudo em seu aspecto sombrio e agressivo, significando “o que ataca com chifres”.

Cornucópia – Nome de origem romana para o Lammas (ver)

Cortante - Altamente tóxico (ver Bane).

CovenGrupo de feiticeiros que não pode ter nada mais do que treze membros. Originalmente, o número fixo treze era uma medida de segurança, para evitar que houvesse traidores durante o Tempo da Fogueira, e uma medida prática, pois é o máximo que um círculo de 9 pés pode conter confortavelmente.

Coven Crone – Termo mais comum na Wicca, é uma bruxa que já passou pela menopausa, e pelo ritual conhecido como “croning”, que é feito após esta bruxa ter pelo menos vinte anos de experiência em bruxaria, e marca a entrada da mulher na senioridade. O título de Coven Crone, ou Anciã do Covine, em português, é dado à mulher mais velha do conventículo, e suas obrigações variam de tradição para tradição. Em geral, elas ocupam uma posição de respeito e sabedoria para serem consultadas sempre que possível pelos mais jovens e ajudam as neófitas na preparação para a iniciação. Homens são excluídos da cerimônia de croning, deixando esta como um momento para as mulheres do conventículo compartilharem entre si os mistérios da natureza feminina.

CovendomRaio de aproximadamente cinco quilômetros no qual um conventículo exerce domínio em tradições wiccanas.

Covener – Membro de um conventículo.

Coven Sage – Termo mais comum na Wicca, é o equivalente masculino da Coven Crone. Trata-se do bruxo com mais de sessenta e cinco anos, com pelo menos vinte anos de experiência em bruxaria, que já passou pelo ritual de “saging”, que marca a entrada do homem na senioridade. O título de Coven Sage, ou Ancião do Covine, em português, é dado ao homem mais velho do conventículo, e suas obrigações também variam de tradição para tradição. Em geral, ele se dedicará apenas a conduzir círculos rituais, aconselhar neófitos e prepará-los para iniciação. Mulheres são excluídas da cerimônia de saging, deixando esta como um momento para os homens do conventículo compartilharem entre si os mistérios da natureza masculina.

CovensteadLocal em que o conventículo se reúne. Os lugares preferidos são os isolados, o mais distante possível das obras do homem costuma ser sugerido como o melhor, como bosquetes, ilhas desertas, encruzilhadas de estradas de chão, ruínas, praias longícuas, cume de montanhas, grutas, etc. Contudo, caso isso seja pouco prático ou impossível, qualquer lugar pouco frequentado que tenha conexão com um passado exótico e/ou sagrado costuma ser usado, como ruínas de uma abadia, de uma igreja, ou nos fundos de um mosteiro, num cemitério de madrugada, num celeiro abandonado, num antigo campo indígena, numa cidade-fantasma, no porão ou no sótão de uma mansão abandonada ou antiga, ou num dólmen (ver) etc.

Covine – conventículo (ver)

Cowan Intruso, ou simplesmente não-iniciado, quando este entra em um Círculo de Magia, num bosquete sagrado ou num templo de bruxaria, e que geralmente não nutra simpatia pela Arte. Diz-se que a palavra significa “cão, cachorro”, pois os antigos iniciados viam o comportamento dos incrédulos e dos céticos que faziam pirraça contra a Arte como idêntico ao dos cães, que latem e latem para as carroças e no entanto a carroça continua seguindo o caminho, enquanto o cão continua parado e acorrentado na casa onde vive. Portanto, “Guardai-vos dos cães” – Filipenses 3:2.

Cromlech – (Crónleque) Palavra galesa para dólmen (ver).

Ctônico – Relativo ao submundo, ao inferno, geralmente aos Deuses e criaturas fantásticas e lendárias (bem como às reais e comprovadas) do mundo inferior.

Cunning folk – (pronúncia: cânim fôlc), significando “povo sabedor”, é um antigo apelido dado aos feiticeiros, sendo “cunning one” (cânim uón) o termo genérico para “sabedor (a)”, que era, no caso, um bruxo ou uma bruxa.

Cuveen – conventículo (ver)

D

Dagyde (Pronúncia “Dá-dji-de”, também com as formas aportuguesadas dágida e dágide) - Alfinete ou agulha de boneco de bruxas. Porém hoje em dia o termo refere-se à própria boneca que é usada para rogar pragas ou para benzer, no método conhecido como enfeitiçamento, que conhecemos hoje popularmente como muito ligadas ao vodu. Porém, dagydes como bonecas usadas em bruxaria são muito anteriores ao vodu, e há relatos de desde os tempos da Grécia antiga já serem consagradas esculturas e miniaturas de pessoas para serem usadas como objeto de ligação ou volt (ver).

Dama – termo arcaico para a Senhora, a Líder do Covine, usado por conventículos tradicionais.

“Dar um Ban”– Esta frase é geralmente uma gíria adaptada ao uso do português, que em inglês, é “to ban someone”, e significaria “banir alguém”. No entanto, em linguagem feiticeira, “dar um ban” e “to ban” são gírias que significam amaldiçoar.

Dedicação – ritual onde uma pessoa faz contato individual com os espíritos ou com o mundo oculto e se dedica à senda. Um ritual simples proposto por Paul Huson é a recitação do Pai-Nosso de trás pra frente em frente a uma vela negra à meia noite, durante três dias seguidos. Eu, particularmente, acrescentaria um espelho, e faria em uma “data de poder”, como um solstício ou um equinócio, ou num ápice de estação (ver Sabá). Ou numa data próxima à lua nova ou à lua cheia (ver Esbá).

Deep-Mind – (Pronúncia: dêp-máind. Literalmente, “mente profunda”) Termo em inglês para a mente interior ou subconsciente. É a partir do contato com a mente interior e do treinamento dela que o bruxo ou bruxa começa a ter sucesso nos seus feitiços. Pois deve-se primeiro dominar a própria mente para poder dominar outras. E dominando-se uma mente domina-se toda a realidade que ela sente, pois uma das máximas da magia herdada do hermetismo é “o Todo é Mente, o Universo é Mental”. Diz-se assim pois tudo que conhecemos, tudo que sabemos a respeito do que se define comumente como realidade é totalmente subjetivo em última análise, pois tudo que sabemos nada mais é do que uma INTERPRETAÇÃO da realidade, e não a realidade per se; uma interpretação feita POR ALGUMA MENTE, seja A DA PRÓPRIA PESSOA ou da DE OUTROS. A própria ciência dá prova disso, pois ela está sempre adaptando suas formas de descrever a realidade com o tempo, até mesmo nas duras ciências naturais. Portanto, realidade objetiva não existe e a Razão é relativa. Portanto, domine a sua própria mente primeiro, e só depois espere ter sucesso em alguma feitiçaria.

Demônio – Espírito inumano de forma geral e de acordo com os gregos antigos, e um dos títulos do magister, em língua portuguesa, significando, de acordo com os léxicos gregos, “pequeno deus”, ou “deidade, sendo superior aos homens e inferior aos Deuses”. Depois do advento do cristianismo, o termo passou a identificar os anjos caídos, e alguns cristãos fundamentalistas usam o termo somente para identificar os nefelins, e, por extensão (àqueles que conhecem a história gnóstica da origem dos bruxos) aos bruxos hereditários.

Deosil – Giro em sentido horário e sendas solares. A Maçonaria pode ser chamada como de uma ordem deosil, pois ela se identifica como uma ordem solar, e, por consequência, apenas homens participam dela.

Descida da Deusa – do inglês Descent of the Goddess, pode ser o conto escrito por Gerald Gardner baseado em uma antiga lenda suméria, conhecida como A Descida de Inana às Terras Inferiores, para o ritual de elevação ao 2º grau da tradição gardneriana (ver), ou o próprio ritual de puxar a lua para baixo (ver).

Descruzar – Palavra usada por muitos feiticeiros atuais para indicar a quebrar de um encantamento, malefício ou maldição.

Desmembramento – Termo usado em português para se referir ao ato de hive off (ver) de um covine.

Deus – Em muitas religiões iniciáticas, Deus seria Aquele que engobla todos os arquétipos, a Fonte, o Divino primordial, do qual todos os arquétipos partilham a origem, que seria aquilo que a humanidade põe como o Divino, aquilo que é digno de adoração, reverência, superioridade e respeito dos homens na Existência. Várias religiões antigas, quando vistas do ponto de vista iniciático, na verdade não eram politeístas, mas henoteístas. Henoteísta é aquele que crê em vários deuses, porém que todos esses deuses nada mais são do que formas ou emanações de um único Deus primordial e primevo. Os zoroastros, por exemplo, que a princípio são tidos como dualistas, criam que Ormuzd e Ahrimã procediam de um único ser, o qual eles chamavam de Zheruane Akherene, ou o Tempo Ilimitado. Os druidas, que aparentemente eram politeístas, consideravam que todos os deuses têm como origem, através de Odin, o Oniprogenitor, ou “Todo-Pai”, o qual eles chamavam de Alfadir. Os egípcios também eram no fundo henoteístas. A palavra a qual foi traduzida por “deuses” dos papiros antigos, Neteru (singular: Néter) é uma tradução inexata. Um Néter não era visto como um deus propriamente dito, mas como uma face de um único ser, uma emanação vinda duma única fonte, o qual os egípcios chamavam de Om ou Aton, que era representado pelo Sol de muitas mãos. Os hindus também são henoteístas. Os mais doutos no hinduísmo creem que todos os deuses nada mais são do que aparições diferentes de um único Deus, o qual eles chamam de “Ser Supremo”. Os cananeus também criam que todos os deuses vêm de um único Pai, chamado Él, nome o qual deu raiz para os equivalentes de “Deus”, na língua hebraica, e além Dele havia ainda a Existência Abstrata, a qual era chamada de Eyé, “Eu Sou”, ou Aquilo que é, foi e será. E os brasileiros do Candomblé, no fundo, também podem ser considerados henoteístas. Pois os mais doutos na doutrina iorubá creem que todos os orixás (deuses africanos) vieram e são faces de um único ser, o Olórun, “aquele que habita no além”. Os gregos chamavam o Deus Supremo de Pantokrator, ou “Aquele que engobla oTodo e que está além dele”, e por fim os gnósticos resumem tal Deus primevo como “o Inefável”, ou, Aquele que não pode ser descrito por palavras, gestos ou imagens.

Deuses

(1) Egrégoras (ver)

(2) Aspectos (ver ) de uma ou mais de uma egrégora.

Devil(No inglês contemporâneo: diabo ou demônio). "deus menor," título do magister como representante de um dos Poderosos na língua inglesa. Hoje usado mais por conventículos tradicionais, devido a grande parte do público “paz e amor” da Wicca não admitir relações nem oníricas com o diabo ou com qualquer coisa que o conecte a ele. Muitos não têm culpa, pois os cristãos fundamentalistas realmente são grandes fontes de desinformação, e assim o público leigo pode se mostrar agressivo se não souber que o conceito de diabo para os bruxos NÃO É o mesmo dos cristãos literalistas (principalmente o dos fundamentalistas).

Diablero (a) – Termo mexicano para pessoa envolvida com bruxaria, geralmente praticante de feitiçaria maléfica ou magia negra (ver). Os membros do Palo Mayombe são apelidados de “diableros” por alguns “santeiros” (ver) na América Central. E muitos de fora da bruxaria usam o termo “diablero” no sentido pejorativo contra todo praticante de bruxaria, independente se o feiticeiro é mayombeiro, macumbeiro, santeiro, bokor, quimbandeiro, etc.

Diabo – do grego diabolos, “que flui para baixo”, ou dia-bollen, “aquele que separa”. Condição do Submundo ou que separa o mundano do espiritual, daí a conexão óbvia do título com o Satanás cristão feita pelos Pais da Igreja. Metaforicamente, o significado de “que faz fluir para baixo” também o define como significando “caluniador”, neste caso, o que mais uma vez o conecta com o anjo caído da tradição cristã.

Dia das Bruxas – Véspera de Todos os Santos, Halloween, Samhain, ou Shamain, festival de feiticeiros do dia 31 de Outubro, e o mais famoso feriado de bruxaria que se conhece. Tradicionalmente essa data era usada para relembrar a memória dos finados nas culturas antigas, em conexão com o decair do dia para a noite mais longa do ano. Hoje em dia bruxos utilizam o Dia das Bruxas e dias próximos para realizar rituais necromânticos, e a Necromancia, deve ser dita, é a base dos cultos tradicionais. Sem os mortos da tradição, não há bruxaria. Isso não significa que os finados não aceitem oferendas e ser evocados em outras épocas do ano também. No entanto, o Dia das Bruxas é o preferido porque tradicionalmente é durante esse dia que o véu simbólico que separa o mundo hílico do mundo imaterial está mais fino, e logo, fica mais fácil para os finados virem e receberem o chamado durante essa época. Deve ser dito que cerimônias de sacrifício humano durante o Samhain entre os druidas pode ter existido sim, porém a vítima era votiva e ia de livre e espontânea vontade oferecer sua vida pelo bem da tradição, da mesma forma como os próprios fundamentalistas se puder dão suas vidas em prol do seu Deus (e eles ainda dariam os próprios filhos se Deus assim pedisse. Pois Abraão só não completou o infanticídio do próprio filho porque o Senhor o impediu de última hora, mas ainda houve a intenção. E o guerreiro israelita Jefté literalmente ofereceu a própria filha em holocausto para cumprir uma promessa imprudente feita a Deus, e Deus nem foi capaz de aparecer para invalidar a promessa e perdoar a dívida em prol de uma vida humana [e virgem. Ver Juízes 11]).

Divinação – Método ou artifício para prever o futuro. De forma estrita refere-se apenas a processos tidos como “sobrenaturais”, mágicos ou místicos pelos cientistas ignóbeis. Porém, de forma ampla, é qualquer método usado para inquirir dentro de uma situação, o que torna até mesmo processos científicos como a meteorologia como formas de divinação. O que levou inclusive alguns doutores da Igreja Católica ao dilema de se deveriam ou não incluir a meteorologia entre as práticas divinatórias e, portanto, proibidas.

Dons de Aradia – Frase usada por alguns bruxos modernos para indicar os poderes lendários de um bruxo ou bruxa, ganhos através da prática da Arte. Diz-se terem sido ensinados pela lendária Aradia, filha de Diana, Rainha das Feiticeiras, onde ela afirmou que estes eram os benefícios de aderir à Bruxaria, e não a razão para se tornar um bruxo ou bruxa. Os dons de um bruxo ou bruxa, então, seriam os de:

1 - Trazer o sucesso no Amor

2 - Benzer e Sagrar

3 – Falar com espíritos

4 – Conhecer as coisas ocultas

5 – Convocar os espíritos

6 – Conhecer a Voz do Vento (ver)

7 – Possuir o Saber da Transformação

8 – Possuir o Saber da Divinação

9 – Conhecer e entender os sinais arcanos

10 – Curar os males

11 – Fazer a beleza despontar

12 – Ter influência sobre animais selvagens

13 – Conhecer os segredos das mãos (quiromancia)

Donzela – Título de conventículo conferido sobre a Dama, às vezes à filha da Dama, quando esta faz parte do conventículo. Também é chamada assim a sacerdotisa que substitui a Dama quando esta não pode participar de algum ritual, e então a Donzela fica com todas as funções ritualísticas da Dama durante um tempo. Geralmente na Wicca é no máximo durante um ano e um dia, a não ser que haja uma boa razão para se estender o prazo. Se durante o prazo estabelecido a Dama não voltar e não justificar sua ausência, o conventículo elegerá uma nova Dama.

Dólmen – Estrutura picta de pedra, praticamente de origem druida, que servia como calendário solar e ritualístico. Hoje são considerados verdadeiros monumentos megalíticos e são protegidos por leis internacionais como património da humanidade. Estão entre os lugares preferidos dos bruxos europeus para praticar suas festividades e feriados. Em geral esses dólmens hoje abrigam alguma igreja cristã nas proximidades, devido à política da Igreja de Roma de construir seus locais de culto próximos ou dentro dos locais de culto antigos para facilitar a conversão dos pagãos.

E

Egrégora – De acordo com Raven Grimassi, em sua Enciclopédia de Wicca e Bruxaria, uma egrégora é “uma entidade composta, uma junção da consciência divina e humana e uma entidade individual separada. A partir da perspectiva oculta uma egrégora é incorporada na luz astral [o manto ódico (ver)] e é um reflexo das emanações superiores e inferiores dos planos de existência. [...] Uma egrégora é essencialmente composta de ambos energia humana e divina, unidas juntas para criar uma forma-divindade. A fórmula para criar uma egrégora é enraizada na primitiva veneração datada tão longe quanto os tempos do neolítico.” Egrégoras são, digamos, “encarnações” ou “emanações” de um único arquétipo. Fazendo uma analogia, para resumir, os deuses Hermes e Mercúrio são duas egrégoras distintas, a primeira sendo grega e a segunda romana, no entanto, ambas se baseiam no mesmo arquétipo, que é do Mensageiro Divino, aquele que os homens definiram como o deus responsável por entregar as mensagens divinas aos seres humanos. Cristo, Krishna e Baldur, outro exemplo, são três egrégoras distintas, a primeira cristã, a segunda hindu, e a terceira escandinava, e no entanto, todas as três são baseadas no arquétipo do Salvador da Humanidade. Diz-se que são distintas porque elas possuem caráteres próprios. Apesar das características similares entre elas que as conectam com o mesmo arquétipo, não se pode negar que cada cultura adorna a egrégora com características que são particulares de cada uma delas. A romana Diana e a grega Artêmis, por exemplo, são vistas como divindades culturais equivalentes entre Roma e Grécia, todas as duas se baseando no arquétipo da Caçadora e Protetora das Florestas. Porém, Artêmis é virgem e casta, já Diana é descrita como uma deusa quase devassa, que teve relações até com seu irmão Apolo, e é patrona e protetora das prostitutas na cultura romana. E ainda, cada egrégora pode possuir vários aspectos (ver), ou “faces”.

Eidólon - Espectro ou inalação. Poder de bruxa formulado em uma semitangível forma humana. Geralmente o eidólon aparece quando ocorre o que se chama de “conjuro de vivos”, ou seja, quando, por exemplo, você realiza um ritual de necromancia chamando por uma pessoa que AINDA ESTÁ VIVA. Logo, o que aparecerá não é ela, e sim o “eidólon” dela formada pelo próprio poder do feiticeiro que o conjurou mais um pouco da energia da pessoa conjurada, e pode ser usado para realizar algum feitiço, geralmente amorífero. O conjuro do eidólon também pode ser usado como uma forma de adivinhação, onde o ritual de necromancia é utilizado sem especificar nomes, a fim de saber quem será o futuro amante ou marido dela ou de alguém.

Elemental - Familiar criado por magia pelo feiticeiro, ou um espírito de um dos quatro elementos da natureza. (Ver Gnomo, Ondina, Salamandra e Silfo).

Elementos – Para os sábios da antiguidade, havia apenas quatro: fogo, ar, terra, e água. Eram os quatro modos básicos de manifestação da matéria e da energia de acordo com a tradição arcana.

Elo de Mãos - ver Handfasting.

Encantanção – Encantamento (ver)

Encantamento – Palavras faladas ou cantadas com intenção mágica. O costume de cantar entre os católicos enquanto rezam ladainhas durante a Missa, por exemplo, veio das tradições mágicas, e hoje a desculpa inventada é a de que “quem canta, reza duas vezes”.

Encanto – Encantamento (ver); glamour (ver).

Envultamento – Enfeitiçamento de alguém usando-se de bonecos como volts ou objeto de ligação.

Esbá – Encontro de bruxas mensal ou semanal, em geral wiccano, mas há uso de esbás entre os tradicionais. Para ver um exemplo de ritual de esbá, procurar neste blog pela postagem “o Esbá das Bruxas”, de Roy Bowers, texto que eu mesmo traduzi.

Escapulário – Amuleto feito de forma semelhante aos amuletos com quadrados mágicos, tendo no lugar destes um papel consagrado com orações, no caso dos católicos, ou com encantamentos, no caso dos feiticeiros.

Escriar – (Do original em inglês Scry e Scrying) Adivinhar por meio de um cristal ou espelho. Foi através deste método que o magus elizabethano Dr. John Dee trouxe ao mundo a hoje chamada língua enoquiana, ou a língua dos anjos. Para conhecer mais a respeito desse tema, consultar a obra Magia Enochiana para Iniciantes, de Donald Tyson, Madras Editora.

Escrita de Honório – Runa das Bruxas. Honório era um dos papas (sim, não foi o único) que se envolvia com ocultismo e bruxaria dentro da Igreja Católica. Ele é supostamente o autor de um grimório (muito procurado) intitulado Grimori Honorii Magni ou Grimório do Papa Honório, o Grande. Tal grimório pode ser encontrado no livro The Book of Black Magic and Pacts, de Arthur E. Waite, que hoje é editado sob o nome de The Book of Ceremonial Magic.

Esotérico – Contrário de exotérico; qualquer coisa que seja passada somente a uma minoria seleta, ou iniciados, e mantida fora dos olhares e conhecimento do povo em geral, povo este que é chamado por diversos termos pelas tradições e ordens esotéricas, dentre os quais os mais comuns são “profano”, “cowan”, “vulgar”, “de fora”, “raça de Abel”, etc.; Saber ou prática arcana, secreta.

Espectro – Espírito, ou fantasma (ver). Bem como forma-pensamento, fetch ou “caçador” criada pelo feiticeiro para propósitos mágicos.

Espelho Galvânico – Tipo de speculum (ver) com a parte côncava feita de cobre e a convexa de zinco.

Evocação – Conjuração para aparência visível.

Exorcismo – Operação mágica para purificar algo ou alguém de influências alheias. O livro Ritualle Romanum da Igreja Católica possui vários tipos deste ritual, incluindo o mais famoso e o mais procurado por leigos curiosos, que é o do exorcismo de pessoas endemoninhadas. Para baixar de graça a versão tradicional do Ritualle Romanum, bem como do Exorcismalle ou Exorcismal contendo o ritual para possessos, e vários outros ritos tradicionais da Igreja de Roma em latim e em inglês, acesse: http://laudatedominum.net/downloads.html

Exotérico – Contrário de esotérico; qualquer coisa que seja disponibilizada ao público em geral, a qualquer um. Conhecimento profano, cowan, abelino (ver Raça de Abel e Sangue-Bruxo).

F

Familiar – Um familiar pode ser quatro coisas: um totem animal do conventículo, criado a partir de visualização mágica e outros processos para ser o Contato (ver) do conventículo. Também pode ser qualquer animal de estimação de um praticante de bruxaria, os quais podem ajudar a proteger tanto física quanto magicamente. Pode ser um serviçal elemental, criado por magia pela bruxa, quase como uma criança astral. Os serviçais são seres sutis ligados ao feiticeiro e a um elemento da natureza. Pode-se criar ondinas, salamandras, gnomos e silfos. As primeiras são da água, as segundas são do fogo, os terceiros são da terra, e os últimos são do ar. Ou pode ser também um espírito-guia, se o feiticeiro for médium de nascença, ou um espírito-lar, que é um espírito de um antepassado que protege uma casa e a pessoa. A Bíblia relata que a prática de se ter familiares pelas bruxas já era comum desde os tempos de Moisés. Os versículos bíblicos que tratam delas são Levítico 19:31, 20:6, 20:27, Deuterônimo 18:9-12, I Samuel 28, II Reis 21:6, 23:24, II Crônicas 33:6 e Isaías 8:19 e 19:3. Levítico é preciso: “Não vos virareis para os feiticeiros e para os que têm espíritos familiares; não os busqueis, contaminando-vos com eles. Eu sou o SENHOR vosso Deus.” E caso “alguém se virar para os que têm espíritos familiares, e para os feiticeiros, para se prostituir com eles, eu porei a minha face contra ele, e o extirparei do meio do seu povo.” E a máxima ordem está no final do mesmo capítulo: “Quando, pois, algum homem ou mulher em si tiver um espírito familiar ou for feiticeiro, certamente morrerá; serão apedrejados; o seu sangue será sobre eles.” O Deuteronômio já é bem mais amplo, dizendo: “Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte a espíritos familiares, nem mago, nem quem consulte os mortos; Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR teu Deus os lança fora de diante de ti.”. No caso, a palavra usada nos versículos para “quem tem espírito familiar” é ôb. Ôb significa literalmente “odre de água”. Por que essa associação? Muitos devem conhecer a história de Aladim e o gênio da lâmpada, por exemplo. Ela é baseada num antigo costume e crença do Oriente Próximo e do Oriente Médio, que é a de que espíritos, gênios e demônios podiam ser aprisionados em recipientes, como lâmpadas, anéis, garrafas, vasos e odres. Portanto, os “ôbes” eram feiticeiros ou necromantes que conjuravam espíritos e os prendiam em odres para depois usá-los em feitiçaria ou em rituais de divinação. A partir daí, ôb passou a ser usado para se referir tanto ao espírito do odre quanto para o próprio dono deles. A famosa história da Bruxa de Endor é narrada pela Bíblia em I Samuel 28. Ela era uma “ba’alath ôb” ou “dona de um odre” (feiticeira), e foi a responsável por conjurar o espírito do profeta Samuel para responder as dúvidas do rei Saul. Essa história é usada até hoje como uma crítica às feiticeiras, ao espiritismo e à necromancia, pois o rei Saul foi morto junto com seus filhos em batalha como castigo divino por ter buscado a feiticeira, mesmo que tenha sido exatamente como o espírito do profeta Samuel previu após ser conjurado. No Alcorão, há relatos também que o Rei Salomão foi um mago, e através de sua sabedoria e poderes mágicos, ele conjurou todos os 72 demônios do Shemhamforash (incluindo o temido Belial. Ver Goécia), os prendeu em vasos de bronze e os jogou no fundo do mar. Esses demônios foram todos soltos mais tarde, de acordo com Paul Huson, por feiticeiros babilônicos.

Famulus – sinônimo de familiar.

Famtrad – Abreviação usada por bruxos americanos para Tradição Familiar, que é, tradição de bruxos passada hereditariamente.

Fang Shih – Termo taoísta para mago e conjurador de espíritos. Contudo, na China, esse tipo de arte é anterior ao Taoísmo (filosofia chinesa fundada por Lao Tsé, que via o homem como um reflexo do universo, um microcosmo de um macrocosmo, que juntos formavam o Todo, que era chamado de Tao ou Dao. O Taoísmo possui diversas ramificações, que podem ir tanto para um lado mais místico e transcendental de relação com o Tao quanto para um lado mais hílico e ateísta.). Entre Fang Shihs famosos, há o mago Li Shao Chun e o taoísta Zuo Ci.

Fang Shu – Termo taoísta para magia, divinação e ocultismo em geral.

Fantasma – Forma espectral (ver) ou vulto (ver). Fantasmas e ocultismo se ligam principalmente no que remete aos estudos da parapsicologia e da paranormalidade nessas áreas, especialmente em torno dos ditos lugares “mal-assombrados”. Para uma lista de lugares mal assombrados, vide: http://inconscientecoletivo.net/top-10-dos-lugares-mais-assombrados/. Para lugares do Brasil, vide: http://hugocamelo.blogspot.com/2011/02/5-lugares-mal-assombrados-no-brasil.html.

Fantasma de Vivo – Expressão usada por pesquisadores paranormais como Edmund Garney para descrever espectros e vultos (ver) de pessoas que ainda estão vivas. Um outro termo para eidólon (ver), no entanto, um formado de forma espontânea sem auxílio de magia. Geralmente uma aparição espontânea do fantasma de alguma pessoa viva é sinal de desastre ou de morte iminente.

Fascinação – Enfeitiçar alguém próximo através do olhar, tato ou sopro. O termo “quebranto” ou “mau-olhado” surgiu de uma forma de fascinação. Conta-se que uma vez, um vendedor enganou um feiticeiro, sem saber desse fato. Então, ele soube através de outras pessoas (amigos do último, que vieram informar o cara para que ele soubesse com quem mexia) e o vendedor, a princípio, zombou e não deu bola. A partir daí, ele notou que o feiticeiro todo dia ficava parado na frente da lojinha dele, várias vezes por dia, sentado, ou em pé, do outro lado da rua, apenas observando de forma séria. O vendedor passou a notar, e com o tempo ele começou a ficar incomodado com a presença dele, pois o cara fitava a casa dele até durante a noite, e a casa do vendedor ficava logo em cima da lojinha e ele percebia de vez em quando que o mandraqueiro ainda estava lá, calmo, parado, só de olho. Até que um dia ele fechou a lojinha por não suportar mais ver o mesmo cara dia e noite olhando. Ele se arrumou em um outro lugar, que, diferente do primeiro local, era menos movimentado e mal localizado, o que o levou à falência em poucos meses. E assim o velho caborjeiro se vingou do vendedor sacana.

Fazer subir – Conjurar.

Feitiçaria - Magia, geralmente magia negra. Ou magia ligada a objetivos menos nobres e mais egoicos, como um feitiço amorífero.

Feiticeiro (a)–

(1) Que pratica feitiçaria (ver)

(2) Em linguagem popular, sinônimo de bruxo (a);

(3) Relacionado ou pertinente à feitiçaria ou à bruxaria em geral;

(4) alguém ou algo que tem capacidade de transformar, moldar, mudar ou manipular pessoas, situações, ou eventos através de feitiçaria.

Feitiço – Operação mágica realizada para um propósito qualquer, geralmente de uma forma mais primitiva e natural, e não muito moderna e cerimonial, como os rituais complexos de Alta Magia (ver). Livrinhos com sugestões e ideias para vários feitiços simples, fáceis e práticos podem ser os queridos Feitiços, Macumbinhas e Mirongas, de Assipu Shafyra (editora Ícone) e o Magias, Mirongas e Mandingas, de J. Edson Orfanake (Tríade Editorial).

Fellver Cortante

Filactério – Brebe (ver) feito de couro, geralmente contendo papéis com encantamentos. É usado como mandraco (ver).

Fith-faith – (pronúncia: fif-fêif) Um nome para boneca vodu, usado na língua inglesa.

Flaga (plural: flagae) – Espírito ou familiar que aparece nos espelhos para o feiticeiro, revelando verdades esotéricas ou mensagens ocultas.

Flags, Flax, Fodder, Frigg - Normalmente abreviado em FFF, ou FFFF, usado logo após a assinatura em cartas, etc. entre bruxos. Robert Cochrane, um bruxo tradicional, utilizava esta sigla e Flag significava coração, ou casa, Flax significava roupas, Fodder comida, e às vezes era acrescentado Frigg, que é uma clara referência à Deusa nórdica do amor e do sexo, ou Fig, figo, simbolizando os relacionamentos, o amor e o sexo. Em resumo, trata-se de uma forma de desejar ao destinatário plenitude nas necessidades básicas da vida (abrigo, roupagem e comida) e um bônus, que seria uma vida sexual e amorosa feliz.

Fogo élfico – Flama para iluminar a Fogueira do conventículo produzido sem o uso de metais. Também é um termo para o fogo-fátuo, o fogo que aparece nos cemitérios à noite, que alguns chamam de boitatá, que é causado pelos gases pressurizados nos caixões dos defuntos que, quando liberados, em contato com o ar inflamam, e como seguem a direção do vento, as pessoas que estão próximas são “seguidas” pela chama. O que levou à impressão que são fantasmas que saem da tumba incomodados com o visitante e então os perseguem.

Fogo Vivo – Fogo élfico.

Foguetinho – Ver “Tacar um foguetinho”.

Forma Espectral, Fetch, Forma-Pensamento, Duplo Astral ou “Caçador” (numa boa tradução de fetch para o português)Corpo astral projetado. Trata-se do corpo psíquico ou espírito da pessoa posto pra fora do corpo através de métodos de viagem astral ou projeção psíquica (como dizem os rosacrucianistas). Esse corpo psíquico então recebe um “pedaço” da consciência do dono, e é usado para atacar pessoas pelo astral. Eles são a base das lendas para o vampiro (que é um corpo astral que encosta na vítima a fim de sugar a força vital dela), o lobisomem (que é o corpo astral que assombra e tenta ferir a vítima através de processos de materialização) e do íncubo e da súcubo, que são corpos astrais masculino e feminino (respectivamente) usados para entrar na mente da vítima e provocar sonhos lascivos. Para se proteger contra tais seres, as próprias lendas também forneciam os antídotos, como estacas de madeira e alho para os vampiros, balas de prata para os lobisomens, etc.

Fórmula Mágica – Conjuros, invocações, feitiços ou orações mágicas consideradas pelos magos cerimoniais e pelos feiticeiros como recursos potentes e úteis para propósitos ritualísticos. Entre as melhores fontes de fórmulas mágicas da Magia ocidental estão as obras A Golden Dawn – A Aurora Dourada, de Israel Regardie, e o Book of Ceremonial Magic (originalmente publicado como The Book of Black Magic and Pacts) de Arthur E. Waite.

G

Galactides – Pedra parecida com a esmeralda, que dizem que é capaz de ajudar na visualização de fantasmas (ver) e na audição de fórmulas mágicas. Atribui-se à ela também um poder de atrair amor e amizade.

Gardneriano (a) – Pessoa iniciada na popular tradição wiccana fundada por Gerald Gardner (1884-1964), considerado o Pai da Wicca por muitos iniciados feiticeiros e wiccanos. Também só aceitam entrada mediante iniciação formal por outro gardneriano.

Gárgula – Tradicionalmente são criaturas associadas à proteção pelos Cultos de Mistérios. A fim de saber quais seriam as pessoas dignas de receber o saber arcano, os sábios arcaicos criaram várias imagens de criaturas grotescas ou assustadoras para representar simbolicamente alguns de seus ensinamentos. Se a imagem sozinha fosse suficiente pra pôr pra correr uma pessoa, então essa pessoa era considerada indigna de ser sábia, e era tida como sem instrução e desprezível. É por este motivo que as gárgulas são tão comuns de se verem próximas a entradas que conduzem a templos de mistérios, sustentando ou sobre as colunas. A Catedral de Notre Dame, em Paris, por exemplo, possui muitas gárgulas pois ela fora construída sobre um antigo bosque sagrado de culto a Cernuno, o deus chifrudo celta da fecundidade. As gárgulas são semi-equivalentes, portanto, às populares “carrancas” conhecidas no Brasil, postas em geral na frente das casas para afugentar espíritos malignos e pessoas mal-intencionadas.

Glamour – Fascinação.

Gnomo – Elemental da terra (ver Elementais).

Goblin – Serviçal de Gob. Gob é um dos nomes para o Senhor da Torre de Vigia do Norte e do Elemento Terra. Um goblin seria, portanto, um gnomo (ver).

Goécia - (Também goétia, goético e goécico) Goécia é um sistema de magia cerimonial supostamente vindo à tona através do Rei Salomão, que conjurou, como diriam, o “lado sombrio” do Shemhamforash (um dos nomes cabalísticos de Deus, que dizem conter os nomes de 72 anjos menores). Para cada anjo desse nome, havia uma contraparte demoníaca, e todo o processo criado pelo Rei Magus está disponível nos “seus” livros Lemegeton, a Clavicula de Salomão, e a Chave Maior de Salomão. A palavra significa em grego “pio de coruja” e, metaforicamente, “feitiçaria”. Esse termo então foi usado largamente na Idade Média para se referir a atos de bruxaria, e de certa forma com justa causa, pois algumas bruxas tinham entre seus pertences exemplares das Chaves de Salomão. Um resumo completo desses grimórios, bem como de muitos outros, podem ser encontrados no já citado Book of Ceremonial Magic, de Arthur E. Waite.

Graal – Em algumas tradições de feitiçaria, um dos nomes para o cálice e para o útero da Dama do covine.

Gramática – Um outro nome para grimório (ver)

Grande Rito – do inglês Great Rite, que é o termo wiccano para o casamento sagrado do Deus e da Deusa, do Céu e da Terra. Trata-se do ritual de sexo ritualístico entre o alto sacerdote e a alta sacerdotisa na Wicca, praticado durante a elevação ao terceiro grau em tradições como a gardneriana, e durante os sabás. Simbolicamente é representado mergulhando-se o Atame dentro do cálice.

Grigori – Termo arcaico para os Senhores das Torres de Vigia dos Quadrantes, e Seus respectivos nomes, de acordo com a tradição cabalista, eram: Gob, para o Senhor do Norte e do Elemento Terra; Paralda, para o Senhor do Leste e do Elemento Ar; Djín, para o Senhor do Sul e do Elemento Fogo; e Nécza, para o Senhor do Oeste e do Elemento Água.

Grimório – Livro de magia, que pode pertencer a um feiticeiro ou a um conventículo. Geralmente os de conventículo são chamados de Livros das Sombras, e em geral mais entre os wiccanos. Grimórios anteriores à Gardner famosos incluem o Arbatel de Magia, as Chaves de Salomão, o Black Pullet ou Frango Negro, o Grimório do Papa Honório, o Grande Grimório, o Grimorium Verum, o Grimorium Imperium, o Lemegeton, entre outros. Para conseguir um resumo de todos estes grimórios, procurar pelo já citado Book of Ceremonial Magic, de Arthur E. Waite.

H

Haegessa – de origem alemã; significa em inglês “hedge rider” ou “hegde witch” (ver Hegde), que é alguém que anda no limite entre este mundo e o outromundo.

Hagstone – Pedra com um buraco no meio, usada como amuleto. De acordo com as crenças da Europa rural antiga, essas pedras eram um símbolo da vulva, e representavam também o portal para o reino das fadas. Hoje em dia é chamada em inglês de holystone ou pedra-santa.

Halloween – Dia das Bruxas (ver). Em inglês significa “Véspera do Dia de Todos os Santos”.

Handfasting – (pronúncia: randféstin) cerimônia de bodas wiccana, podendo ser “até que a morte os separe” ou só por um tempo. Boas traduções para o termo podem ser "Elo de Mãos" (para quando for um casório até morrer), "Laço de Mãos", (para quando for um casório temporário), e, de forma mais genérica (e pagã) para ambos os casos, "himeneu".

Haríolo (a) – Nos tempos da Roma antiga, era sinônimo de profeta, hoje em dia significa adivinho (a), e em sentido restrito, praticante de hariolomancia (ver).

Hariolomancia – Prática de divinação envolvendo o uso de altares e aras. Diz-se que os haríolos conjuravam um demônio, ou um espírito, ou um deus e observavam qualquer manifestação de forças ocultas em ação, como “tremores”, trepidação de chamas nas velas do altar, aparição da entidade diante do altar, etc. Os haríolos depois do advento do cristianismo passaram a ser vistos como idólatras e adoradores do diabo, e graças a isso até hoje a definição moderna de hariolomancia passou a ser “adivinhação por meio de ídolos” ou deuses pagãos. O feiticeiro bíblico Balaão é um exemplo clássico de haríolo (ver capítulos 22 ao 31 do livro de Números na Bíblia).

Hedge – (pronúncia rédje, que vem do inglês hedge witch ou hedge rider, literalmente, numa boa tradução, “cavaleiro de fronteira” ou “bruxo (a) de fronteira”). Trata-se de um bruxo ou bruxa que trabalhe constantemente com o auxílio de espíritos e entidades espirituais, e que tem o hábito de praticar viagem astral ou projeção psíquica (ver), geralmente alguém que tenha recebido o que se conhece por iniciação por transmissão vertical (ver), ou alguém que pratique bruxaria sem auxílio de saber arcano, no caso, folk magick e não necessariamente iniciado em alguma tradição de bruxaria, seguindo seu caminho na Arte em geral de forma solitária e recebendo tudo que sabe com base nos próprios testes e experiência e no saber que recebe dos espíritos. Os típicos “rezadores” e “benzedeiras” do Brasil são excelentes exemplos de hedges. Para conhecer mais acerca da benzedura de um ponto de vista científico, procurar pelo livro A Ciência da Benzedura, do Dr. Alberto M. Quintana, editora da EDUSC.

Hekas, Hekas este Bebeloi – Trata-se de um grito ritualístico, um aviso utilizado pela primeira vez nos Mistérios de Elêusis, e mais tarde incorporado a grupos esotéricos como a Ordem Hermética da Aurora Dourada. A tradução latina da frase (“Procul, o Procul este, profani”) também é usada, e significa “Longe, ficai longe, profanos!”. Este aviso servia para dizer a todos os não-iniciados nos cultos antigos para se retirarem, pois as cerimônias esotéricas iriam começar. Hekas também é o nome de um antigo deus ou deusa-sapo egípcia da magia e da bruxaria.

Hekau – Na religião e magia egípcias, palavras de poder sagradas usadas para combater o mal e as trevas. No Am Tuat, contido dentro do Livro dos Mortos egípcio, e no Book of Gates ou Livro dos Portões, há relatos do deus solar avançando no inferno proferindo hekaus para afastar os seres hostis.

Herbolaria – Termo geralmente espanhol para designar o conhecimento acerca de ervas, medicinais ou não, e da aplicação prática de cada uma delas.

Herbolária – Literalmente é mulher que conhece a propriedade das ervas, mas muitos dicionários definem o termo como “bruxa que faz feitiços com plantas”.

Herbolário – Homem que conhece as propriedades das ervas, ou as vende.

Herborismo – Saber acerca das ervas e suas propriedades, em geral as medicinais.

Herborista – Termo genérico para homem ou mulher que conhece as ervas, ou as vende.

Hermo – Trata-se de um pilar de madeira ou pedra com a parte superior esculpida na forma de um corpo humano. São antigos símbolos da fertilidade e se assemelham (propositalmente) a um símbolo fálico. Os antigos romanos colocavam os hermos em encruzilhadas e os antigos etruscos em seus campos de cultivo. Provavelmente era apenas mais uma personificação dos espíritos da terra com a intenção de assegurar a fertilidade.

Hex – (pronúncia: récs) o alemão “enfeitiçar, embruxar”. Mais usado hoje em dia na língua inglesa como sinônimo de maldição e de amaldiçoar (to hex).

Hexe – (pronúncia: récse) Bruxa em alemão.

Hexenmeinster – (pronúncia: récsen-mênster) Feiticeiro em alemão.

Hexagrama – Estrela de seis pontas talismânica feita de dois triângulos entrelaçados.

Hidromel – bebida sagrada feita de mel e maçãs.

Hierofania – Fenômeno de manifestação do sagrado, como pode ser considerados certos estados de transe e incorporação de divindades ou demais entidades superiores, ou ocorrências extáticas de caráter arrebatador, clarividente, clariaudiente, divino, místico ou mágico em rituais.

Hierofante – Na Grécia Antiga era um tipo de Alto Sacerdote, que liderava e dirigia os rituais e cerimônias mais solenes dos Mistérios, particularmente nos de Elêusis; Hoje em dia o termo é usado algumas vezes para designar o alto sacerdote líder do covine, ou magister. (ver Pontífice)

Hierograma – Termo técnico para hieróglifo, ou qualquer grafia de cunho sagrado, religioso, ou mágico. O alfabeto das feiticeiras, ou assim chamadas Runas de Honório, vistas neste livro são exemplos de hierogramas.

Hieromnêmone – Guardião de livros sacros, particularmente na Grécia antiga.

Hieros Gamos – Termo grego para o Grande Rito (ver), ou Casamento do Céu e da Terra, que em grego quer dizer “união sagrada”.

Hílico ou Hilético – Pertinente ou relativo ao material, às coisas mundanas, e ao materialismo. No que remete a pessoas, uma pessoa hilética seria alguém que não se importa com qualquer forma de espiritualidade, e que se dedica somente aos assuntos do mundo material. Este termo, junto com outros dois, faz parte de uma fórmula de estratificação da humanidade feita pelos gnósticos. A estratificação é a seguinte: os hílicos ou hiléticos são as pesssoas no nível mais baixo de evolução espiritual. São aquelas que, como dito acima, são totalmente materialistas, ateias e mundanas, e não dão atenção a nenhuma forma de espiritualismo ou misticismo que seja. No próximo nível, o nível intermediário, se encontram os psíquicos, que são aqueles que evoluíram um pouco mais espiritualmente e já passam a despertar interesse pelas coisas espirituais, místicas ou mágicas, e em conhecer mais a fundo a si próprio e ao universo. No entanto, correm o risco de cair no materialismo de novo. E no último nível, o mais alto, se encontram os chamados pneumáticos, aqueles que já alcançaram um estágio bem avançado na evolução espiritual e estão prestes a retornar à Grande Fonte de Luz, ou Deus Inefável, da qual todas as almas vieram e para onde todas vão retornar, na visão gnóstica. No que remete à bruxaria, é seguro dizer que pode-se encontrar bruxos em qualquer um desses níveis, e, por mais estranho que pareça, até mesmo no nível hilético.

Himeneu - ver Handfasting.

Hissope – Aspersório, normalmente usado pela Igreja Católica. Trata-se de um bastão com uma esfera ou ovo de metal na ponta. Os mais antigos eram feitos de um ramo de hissopo.

História da Avó – ver Conto da Vovó.

Hive off – (pronúncia: ráive-óf) Termo usado na língua inglesa para especificar o momento quando membros de um conventículo saem deste para formar um novo. Em inglês, hive quer dizer colmeia.

Hobgoblin – Um dos lares, ou espíritos protetores do lar. De acordo com Drury (2011) era também um espírito maligno que causa medo e apreensão, principalmente em crianças. Provavelmente, essa explicação é pós-cristã, com o intuito de desencorajar as crenças pagãs nos lares.

Hodu – Também Hoodoo, é uma forma de culto feiticeiro originário da África e praticado na América Central e no sul dos Estados Unidos, e que tem semelhanças com o vodu haitiano.

Hollow Hill – (pronúncia: rólou ril) literalmente “Colina Oca” em inglês. Termo tradicional para o inferno, ou submundo.

Houn’ gan – Alto Sacerdote vodum (ver). A palavra significa “chefe dos espíritos”.

I

Imbolg – (pronuncia-se “Ím Ból”) um outro nome para o festival da candelária (ver)

Imp – Nome arcaico para um elemental, espírito da natureza, ou espírito familiar entre os feiticeiros.

Iniciação - Ritual designado para introduzir um postulante a uma sociedade esotérica, grupo ocultista ou místico, culto ou tradição de bruxaria. Uma iniciação significa o início de uma vida espiritual em um dado caminho, e não uma meta ou objetivo. Há dois tipos de Iniciação: a de Transmissão Vertical e a de Transmissão Horizontal. A Horizontal é aquela que é passada de pessoa para pessoa, iniciador para iniciante, mestre para aprendiz. A Vertical é aquela que é passada diretamente das entidades para os humanos, sejam celestiais ou infernais. Bruxos de fronteira (ver hedges) e benzedores comumente recebem a última.

Iniciação Solitária – Erroneamente confundida com auto-iniciação. Em auto-iniciação, comumente, pressupõe que a própria pessoa se inicia na bruxaria, algo que tradicionalmente é impossível e absurdo, pois ninguém pode dar pra si próprio o que não tem. Já a Iniciação Solitária trata-se de uma série de rituais que o neófito realiza para receber sinais e agouros, e só após o recebimento desses sinais a pessoa poderá prosseguir para receber a Iniciação genuína. Logo, não é meramente ter vontade de se iniciar, fazer um ritual qualquer e pronto, está iniciado. Se o neófito não receber os agouros e os presságios, ele nunca poderá prosseguir para a Iniciação genuína, e se tentar será amaldiçoado. O ritual da oração do pai-nosso de trás pra frente no livro de Huson (1971) não é um ritual de iniciação solitária, nem de auto-iniciação. Trata-se de um ritual de purgação de tabus e travas psicológicas e psíquicas imbuídas por doutrinações passadas no aspirante, conhecido como Ritual de Dedicação.

Íncubo – Forma espectral masculina projetada para propósitos de intercurso sexual. Histórias de íncubos são muito famosas na idade média, mas as das suas contrapartes femininas (as súcubos) há o dobro da fama.

Inferno – É um termo que assumiu vários significados através das eras. De acordo com a Bíblia, o inferno nada mais é do que o mundo inferior, o mundo dos finados, frequentemente tido como sinônimo de sepultura. No entanto, a crença supersticiosa, iniciada pela Igreja de Roma e mantida até hoje por muitos fundamentalistas cristãos, é de que o inferno é a morada de Satanás e de seus lacaios demônios, e o usam como um sinônimo do Lago de Fogo e Enxofre aonde os ímpios à fé cristã serão jogados após o Juízo Final para sofrerem pela eternidade, apesar da própria Bíblia declarar que o inferno SERÁ jogado no Lago de Fogo, de acordo com São João no Apocalipse, capítulo 20. O termo vem do latim inferus, e significa simplesmente “inferior”, referindo-se ao mundo inferior, regido pelo Deus Hades (Plutão para os romanos) e Sua esposa Perséfone (ou Prosérpina para os romanos), e nunca foram tidos como um local totalmente maligno, mas era simplesmente a morada dos mortos. Diz-se “não totalmente maligno” porque os mortos, assim que chegavam lá, de acordo com as crenças mais comuns romanas e gregas, eram julgados pelo Senhor do Submundo, e se tinham sido retos e íntegros durante a vida, iriam para os Campos Elísios, a parte paradisíaca do mundo inferior, na qual dizia-se haver verão eterno. Caso tivessem sido perversos e vis durante a vida, eles eram jogados no Tártaro, que era um gigantesco poço sem fundo, um abismo insondável, escuro, frio e úmido, que mais tarde foi usado pelos Pais da Igreja para se referir ao Lar dos Anjos Caídos na terra.

Inter Mundi – ver Portal

Invocação – Chamar o poder para dentro, demandando ser incorporado por um deus. Essa é a concepção a qual vi ser usada com mais frequência. Alguns praticantes de bruxaria porém afirmam que invocação é conjurar uma força superior ao ser humano, como um deus, um espírito bem-aventurado, um anjo, etc., e evocação uma força inferior, como um imp, um elemental ou um demônio.

Invocador – Outro nome para o Oficial, como se traduz do original “summoner”.

J

Joia – Talismã de identificação e regalia de um feiticeiro ou feiticeira. Elas podem ser colares, anéis, braceletes, pingentes, cíngulos e ligas. Elas comumente são feitas de ouro, prata, cobre, chumbo, estanho, ferro, bronze e ferro. Os preferidos são os que possuem gemas, e entre as gemas favoritas estão o âmbar, o diamante, a ônix, a esmeralda, o jaspe, a olivina, a pedra-da-cruz, a carnélia, o sárdio, o rubí, o azeviche, o olho-de-gato, o lápis-lazúli, a turquesa, a pedra-coral, a opala e a pedra-da-lua. Ver também bigghes.

L

Laço de Mãos - ver Handfasting.

Lammas – (Pronuncia-se Lamás) Nome cristão para a festa do dia 3 de agosto, que o cristianismo celebrava através do consumo de pão, símbolo da eucaristia (no hemisfério norte). O termo pagão era Lugnassad.

Libação – oferenda sacrificial de bebida alcoólica aos espíritos, ou aos Deuses, ou aos demônios, ou às fadas, etc. Geralmente isso se faz derramando o primeiro ou último gole da bebida no solo “para a terra beber”.

Lamber Feitiço – Simpatia para anular feitiçaria lançada contra uma criança. Pra realizá-la deve-se lamber a testa da criança, primeiro de baixo para cima, depois de um lado para o outro, e de baixo para cima novamente. Caso for sentido gosto de sal na língua, isto é tomado como uma prova de que a criança foi enfeitiçada.

Licantropia – “assumir” em uma dança grupal gestos de um animal. Esse gesto pode ser visto na sugestão de dança ritualística no livro de Huson (2006) citado na bibliografia. Também pode se referir à projeção de um espectro ou “caçador” na forma de um animal, sendo o mais comum o conhecido “lobisomem”, porém há relatos em outras culturas de “tigrosomens”, que são homens que se transformam em tigre, para o mesmo propósito do lobisomem.

Ligatura – Amarração mágica, que é um feitiço designado para impedir uma pessoa de fazer algo. Chamado por alguns de “caborje”, uma amarração é um feitiço de trevas de natureza basicamente saturnina, ligada à terra. Já as chamadas maldições, que são feitiços de trevas com a intenção de provocar dano em algo ou causar doenças e a morte de alguém, são de natureza marcial, e ligadas ao fogo.

Linhagem – a tradição que inicia uma pessoa e sua árvore familiar.

Lobisomem – Forma espectral predatória, na intenção de provocar dano na vítima, através de assombrações e materializações a fim de ferí-la.

Lugnassad – (Pronucia-se Lunassá) Nome pagão para o festival de agosto no hemisfério norte. (ver)

M

Macumba – Trata-se de um instrumento musical usado em diversos cultos afro-brasileiros, como o candomblé e a umbanda. No entanto, devido muitas vezes às visões limitadas, generalizadas, grosseiras e preconceituosas pregadas por diversas igrejas cristãs neo-pentecostais, macumba acabou virando um termo depreciativo para segregar, desmoralizar e definir estes cultos, e em vários outros casos, a feitiçaria em geral.

Magia – A arte e ciência antiga ensinada pelos Vigias, incluindo o conhecimento de certos poderes residentes dentro da mente interior do homem, por meio dos quais ele pode, através do conhecimento prático de algumas leis naturais, que o profano geralmente não costuma se interessar, usar em proveito próprio ou em proveito de uma causa maior. A Sabedoria deve sempre guiar o mago, o que inclui o discernimento sobre quando e como usar a magia. Um sábio está ciente de que ninguém é 100% místico, pois se fosse, ele jamais realizaria rituais de pedido a Deus para que fosse acelerada uma cura, por exemplo, tampouco buscaria usar as leis naturais mesmo que seja para evoluir mais rápido. Ser totalmente místico é esperar as coisas ocorrerem naturalmente, e a sabedoria há muito sabe que a Evolução às vezes necessita do uso da vontade para acelerar uma coisa ou outra. Logo, a magia não é uma arte que viola as leis da natureza. Invés disso, ela é como a própria natureza, e o mago assim como o místico para ter sucesso na magia precisa conhecer e saber como aplicar a forma prática e útil das leis naturais ao seu favor. Também não é simplesmente uma arte do ego, por usar de manipulação de eventos, situações e pessoas para um fim desejado cujo único que ganhe com isso seja a bruxa, uma vez que em muitos casos, o buraco é bem mais embaixo, como diriam. Robert Cochrane, o douto bruxo tradicional do século passado, botou as cartas na mesa e sugeriu, em resposta à lei da Wicca proposta por Gardner (que dizia “faz o que quiseres”), a “não faz o que quiseres, faz o que tiver que ser feito”. Portanto, bruxos não giram em torno de si mesmos. Eles moldam a realidade ao redor deles a fim de que o máximo de pessoas dignas evoluam também. Se houver alguém que precise ser silenciado, ele será silenciado, mas não por mero ódio e vingança, e sim em prol do Bem comum. Que seja dado, como dizem aos adeptos, “carne aos homens, leite às crianças e lavagem aos porcos!”.

Magia Branca e Negra – Atualmente, muitos bruxos não fazem distinção entre magia branca e negra. Creem que isso é um tipo de divisão desnecessária feita pela moral medievalista. E de fato, é. Magia é uma ferramenta, e assim como uma faca, ela não deve ser taxada de “boa” ou “má”, e sim, aquele que a usa, pois facas podem ser usadas tanto para passar manteiga no pão quanto para cortar a garganta de alguém. Assim, os poucos que ainda dividem a magia em dois tipos, admitem que sim, há horas em que é necessário o uso da negra. No caso, o uso da negra seria magia para provocar efeitos nocivos propositais em algo ou alguém, como maldições, e branca para efeitos benéficos, como curas. (ver Alta Magia).

Magia Sacra – Um termo mais nobre para Alta Magia, no sentido de magia praticada por hermeticistas, cabalistas , gnósticos e pelos magos enoquianos e angélicos.

Magismo – De acordo com Élifas Lévi, em seu livro Paradoxos da Sabedoria Oculta, magismo seria uma doutrina que transforma a magia (que na opinião dele, é uma força oculta) num poder. Nas palavras dele, “um mago sem magismo não passa de um feiticeiro. Um magista sem magia é tão somente uma pessoa que SABE. [...] A ciência do magismo está contida nos livros de cabalá, nos símbolos do antigo Egito e da Índia, nos livros de Hermes, nos oráculos de Zoroastro e nos escritos de alguns grandes vultos da Idade Média como Dante, Paracelso, Tritêmio, William Postel, Pomponáceo, Robert Fludd, etc.”

Magista

(1) Neologismo especial em português criado pelos thelemitas para diferenciar-se do substantivo “mágico”, que de acordo com adeptos crowleianos, este último deve ser usado para se referir apenas a ilusionistas de palco, sendo o termo “magista” o termo correto para se referir ao praticante das Artes Negras. Os thelemitas e demais adeptos de Aleister Crowley sempre diferenciaram a magia da mágica de ilusionismo, acrescentando a letra “k” à palavra “magic” (mágica em inglês) e ao adjetivo “mágico (a)” em português, ficando desta forma, respectivamente, “magick” e “mágicko (a)”, todos fazendo referência nestes casos, à magia, e as formas sem o “k”, à mágica ilusória de palco. Modernamente, houve o surgimento do termo “magístico” para substituir “mágicko”, uma vez que segue mais as regras da língua portuguesa. No entanto, tal diferenciação entre “magic-magick” parece não ter surgido com Crowley, pois algumas fontes estimam que quem tenha iniciado este costume no ocultismo tenha sido o mago frânces Élifas Lévi.

(2) Para Élifas Lévi, praticante do magismo (ver)

Mágica – Termo usado por muitos praticantes da Arte atuais de língua portuguesa para definir os truques do ilusionismo de palco, e diferenciá-los dos atos de magia genuína, “de verdade”.

Magici Dii – Termo romano que significa “Deuses dos Magos” ou “Deuses da Magia”. Era como eram conhecidos os deuses dos feiticeiros e das bruxas na antiguidade, que nada mais eram do que versões à sua época e cultura dos Antigos Vigias do Céu, pois em geral tais deuses tinham conexões com a Noite, o Inferno e as encruzilhadas, ou com as Florestas e a Terra, ou com a Luxúria e a Devassidão. Hécate, Hekas, Mormo, Lúcifer, Prosérpina, Diana, Astarte e Cerridwen são todos exemplos de Magici Dii.

MagistellusServo elemental (ver Familiar)

Magister – Do latim Mestre; líder masculino do conciliábulo. Ele é o representante do deus dos feiticeiros, que em dias atuais, é visto entre os cristãos na face do Demônio, sendo este um de seus títulos. Outros títulos do magister incluem termos relacionados a esse simbolismo, como Barrabás, Sabaoth, Lúcifer, Mantus e Karnayna.

Magístico – Sinônimo moderno e mais formal de “mágicko”.

Magna Mater – Nome latino para Grande Mãe, o arquétipo das Deusas-Mães ao redor do mundo.

Magnetismo - Termo derivando da teoria do século XVIII de Anton Mesmer sobre o poder mágico, que é a “energia” ou força sutil que, entre outras coisas, compõe os sonhos e pode ser manipulada e direcionada para afetar mentes exteriores à do mago.

Magnum Pater – Nome latino para o Deus Cornífero, o arquétipo dos Deuses-Pai ao redor do mundo, significando “Grande Pai”.

Mago – Masculino equivalente à bruxa. Homem sábio. Os magos mais famosos e aceitos no ocidente são os conhecidos três reis magos, que visitaram o Cristo em seu nascimento e o presentearam com olíbano, mirra e ouro.

Magus – Praticante masculino de magia, mago. Esse é o termo em inglês para se referir aos três reis magos. Em algumas bíblias, é traduzido como “wise man” ou “sábio”.

Maldita –Bane (ver).

Malandanti – Nome antigo que a seita dos Benandanti (ver) dava às bruxas, as quais culpavam pelas desgraças ocorridas nas suas vizinhanças, como safras ruins e epidemias em animais, significando “andarilhas do mal”.

Maleficium – Nome feiticeiro e latino para a arte mágica de amaldiçoar.

Malefizmeinster – (pronúncia: malefiz-mênster) Nome alemão para os especialistas em caçar bruxas na Idade Média.

Mama Sudika – Feminino de Mulôji (ver)

Mandraca

(1) Qualquer beberagem usada na bruxaria, como os vermutes, o vinho do sabá, as poções mágicas, os filtros e as sidras.

(2) Feitiçaria (ver)

Mandraco – Qualquer amuleto para dar sorte e atrair bênçãos; geralmente usado por apostadores, podendo ser uma medalhinha, uma pedra, etc.

Mandraqueiro (a) – Feiticeiro (a). De forma específica, preparador (a) de poções mágicas e filtros.

Mandrágora – Planta Magistellus, venenosa, famosa e provavelmente a mais ligada às bruxas, e é citada até mesmo na Bíblia. Em Gênesis 30, vemos o relato de que ela é usada como narcótico e estimulante por Lia, para “alugar” Jacó e ter um filho com ele. Em hebraico, ela se chama “dudaim”, e significa “planta do amor”. De acordo com os bibliólogos, ela também era chamada de “Maçã de Sodoma”, e pelos árabes de “Maçã de Satanás”. Como diria também o Cântico dos Cânticos 7:13: “As mandrágoras exalam o seu perfume, e às nossas portas há todo o gênero de excelentes frutos, novos e velhos; ó amado meu, eu os guardei para ti.” Porém já aviso que desconheço se para despertar as propriedades narcóticas e estimulantes da mandrágora deve-se ingerir ou extrair o óleo dela. Logo, não a coma tampouco a passe pelo corpo sem antes consultar um especialista para saber qual o método correto de usá-la.

Manto Ódico – É um termo para o campo de magnetismo ou poder mago que cerca o planeta Terra. É a contraparte metafísica da esfera eletromagnética da Terra conhecida pela Física. Em metafísica diz-se que é o manto ódico que contém os ditos Registros Acásicos, que são, na perspectiva das Artes Negras, o campo enérgetico alegórico no qual se “gravam” e “imprimem” todos os pensamentos e ações dos seres que habitam a Terra, quase como um disco magnético de memória registra os dados de um computador. O Manto também é o depósito de energia ódica ou poder mago, que pode ser tirado para propósitos ritualísticos e mágicos através de estados alterados de consciência. A tradição diz que o melhor período para isto é o durante os plenilúnios.

Mantra – Termo hindu para cântico ou som sagrado, entoado em silêncio durante meditações geralmente. Os nomes dos Deuses são tidos como a essência dos mesmos, e entoá-los é uma forma de se alinhar com Eles. Mantras também podem ser frases curtas menos esotéricas, como Om Namah Shivayah, que significa simplesmente em “Eu honro meu Eu interior”. O mantra mais popular é o conhecido Om, que é tido como o som primordial do universo. Alguns bruxos tomam mantra como um sinônimo para encantamento.

Mantus – Nome etrusco para o Deus da Morte e Senhor dos Espíritos. Sua esposa chama-se Mania. São nomes comuns para o Cornígero e a Deusa em seu aspecto de Ceifera (ver).

Mão-da-Glória – Mão decepada de um criminoso usada nos tempos antigos para propósitos mágicos. Para uma descrição mais detalhada da Mão-da-Glória, consultar o Book of Ceremonial Magic, de Arthur E. Waite.

Marca-de-Bruxa – Marcas de nascença que uma pessoa acusada de bruxaria possuía nos tempos da Idade Média. Nas tradições familiares a marca de bruxa é em geral no lado interno da coxa esquerda, pequena, no dorso, ou atrás do ombro esquerdo. Diz-se que é a indicadora da linhagem do bruxo ou bruxa. As formas variam, mas muitas vezes são parecidas com um crescente lunar, um X ou cruz, ou a pegada de um animal.

Marca-do-Diabo – do latim Diablo Stigmata, trata-se de uma tatuagem ritualística feita sob indução.

Mau-Olhado – Olhar mordaz involuntário. Ver Quebrantar.

Mayombeiro (a) – (do espanhol mayombero (a)) Praticante de Palo Mayombe, uma tradição feiticeira de raízes africanas existente na América central e Caribe. Alguns mayombeiros dividem-se em dois tipos: os mayombeiros cristãos, que são os que praticam esta feitiçaria para propósitos benéficos, como curas e benzeduras, e os mayombeiros judeus, que são os que a usam para maléficos, como maldições e enfeitiçamentos. Algumas fontes indicam que o Palo Mayombe seria para a Santeria (ver) o que a Quimbanda (ver) é para a Umbanda.

Metamorfose – ver Shimming

Menir – É uma misteriosa pedra bruta e antiga que eram postas de pé pelos antigos europeus, por motivos ainda desconhecidos. Uns dizem que marcavam locais astronómicos, outros sepulturas, outros moradas de espíritos poderosos, outros que representavam deuses, e outros por fim que representavam portais para outros mundos e dimensões. Alguns deles possuem seios entalhados e alguns até mesmo vulvas também, e aparecem no sudoeste da Itália, na França, em Portugal e na Inglaterra, datando por volta de 3000 - 4000 a.C. As muitas lendas que circundam os menires afirmam que eles mudam de lugar e que alguns até mesmo falam. Outras lendas dizem que eram heróis ou vilões que foram transformados em pedras por alguma feitiçaria. Estudiosos associam também os menires com as fontes sacras, e os círculos de menires com os anéis das fadas (ver), deste modo fazendo do círculo de pedras altas um símbolo das fontes, e portanto, um portal para o Outromundo. Dançar num destes círculos então, com o passo movendo cada vez mais rápido, diz-se elevar o poder e abrir uma passagem entre mundos.

Mesotérico – Algo que é parcialmente esotérico (ver).

Mistagogo – Pessoa que, no papel de Adepto (ver), inicia o neófito (ver) num segredo esotérico ou mistério (ver).

Mistério – Termo originário do grego myein, que significa “fechar a boca”. É uma verdade oculta e proibida aos não-iniciados, que só podia ser passada a estes últimos em forma de símbolos e alegorias. Os cultos de mistério mais famosos na antiguidade são os Mistérios Órficos, os Mistérios de Elêusis, os Mistérios Frígios, os Mistérios Mitraicos, e os Mistérios Samotrácios. Após o advento da Igreja de Roma, os cultos de mistério foram grandemente perseguidos, apesar de os Pais da Igreja incorporarem muitas fórmulas ritualísticas desses cultos nos ritos da Igreja Católica, dizendo porém aos fiéis que a mensagem esotérica dos Rituais deveria ser vista como literal, invés de alegórica (diz-se que o Rito da Missa foi montado tendo por base grande parte do ritual central dos Mistérios de Elêusis, e que o Ritual Romano [livro que contém os rituais oficiais da Igreja Católica] teve por base diversos rituais de outras culturas e religiões.). Entre os herdeiros dos ensinos desses cultos na modernidade estão a Maçonaria, a Rosa-Cruz, e diversas tradições de Bruxaria.

Mudrás – Gestos simbólicos com as mãos que magos cerimoniais e feiticeiros fazem nos rituais. A mano cornuto, ou mão chifrada, por exemplo, usada para saudar o alto sacerdote e a alta sacerdotisa após eles incorporarem as deidades do Sol e da Lua, é uma mudrá.

Mudrá-da-Chama – Gesto simbólico utilizado por alguns magos atuais na consagração e benzedura de determinada ferramenta mágica. Semelhante ao gesto de unir as mãos dos cristãos, a mudrá-da-chama é feita unindo-se as pontas de todos os dedos juntos e a base das mãos e afastando as palmas, formando uma espécie de ponta de lança com as mãos. Ela é realizada sobre o objeto após a fumigação ou exorcismo com sal e água deste, durante a pronúncia da conclusão ritualística “Assim seja feito!”.

Mulôji – Termo banto para os sacerdotes feiticeiros desta tribo africana. Uma das formas femininas equivalentes é “Mama Sudika”. Hoje em dia, é usado para definir praticante de feitiçaria, em geral de origem africana, e em muitos casos, praticante de magia negra e fazedor de pactos com espíritos malignos. No entanto, esta última visão é tida como preconceituosa.

N

Necromancia – Evocação dos mortos. Ela é praticada desde os primórdios da Humanidade e o cerne da Bruxaria em si está na necromancia, uma vez que “sem os mortos da tradição, os bruxos nada são”. Rituais de necromancia na bruxaria ocorrem principalmente por volta do Dia das Bruxas e do Dia de Finados (31 de outubro a 2 de novembro). Um termo associado, porém quando a necromancia é praticada com propósito divinatório (ao invés de comungar com os falecidos) é psicomancia.

Neófito – Iniciante, recém-iniciado ou que está se preparando para ser iniciado na Arte ou em alguma ordem esotérica.

Niding Pole – (pronúncia: nidim pôuli) – Bastão com cabeça de cavalo, preparado com magia, para banir e amaldiçoar.

Noite das Bruxas – Beltane (ver)

NorthwaysEm sentido anti-horário, para a esquerda, contra o sol.

O

Objeto de Ligação – Exemplo material impregnado com magnetismo de uma vítima alvo da feitiçaria, também conhecido como volt (sendo opostos ao Objeto de Poder, ver). Mechas de cabelo, unhas, pele, urina, sangue, sêmen, fluído de Bartholin e demais secreções corporais são todos exemplos de volts, e incluem-se também objetos que pertençam à vítima e que ela tenha usado logo antes da feitiçaria, como meias, xuxinhas, clipes de cabelo, luvas, farrapo, etc.

Objeto de Poder – Objeto material carregado com o poder mágico do feiticeiro e transferido à vítima ou presença do alvo para efetuar certo resultado. Formalmente chamam-se baterias psíquicas. Exemplos de baterias psíquicas incluem bombons, colares, cruzes, joias, enfim, qualquer objeto que possa ser disfarçado de presente, como bijuteria, e então carregado ritualisticamente e passado à vítima sem o mínimo de suspeita.

Oficial – Líder terciário do conventículo. Tenente do Magister, também conhecido como Homem de Preto, Verdelete, e como conjurador, invocador, e convocador. O trabalho dele é de convocar os membros para os rituais e organizar os paramentos para as cerimônias e rituais futuros, além de outras coisas.

Oimelc - Imbolg (ver)

Olho-gordo – ver Mau-olhado.

Ondina – Elemental da água (ver Elementais)

Oráculo – Pessoa que trabalha com vidência e divinação em um conventículo.

Orco – Nome poético e arcaico de línguas latinas para o inferno, ou submundo, o mundo dos mortos.

Os Poderosos – Um nome para os antigos Deuses das bruxas, os Vigias, “filhos de Deus”, ou Magici Dii.

Outromundo

1- o Reino dos espíritos

2- o Reino dos Arquétipos

3-o Reino de Elfane

4-Realidades ou dimensões alternativas

5-o Submundo

6- o Inconsciente coletivo

7-Aspectos de todos os outros significados mencionados acima

Overlook – lançar o mau-olhado em inglês e em linguagem feiticeira.

P

Pacto – Pode ser: a assinatura do iniciado no registro do conventículo, que serve como um juramento de silêncio, bem como um acordo selado entre um feiticeiro e uma entidade com fins de auxílio em um objetivo. Para conhecer à fundo a história dos pactos com demônios, consulte o livro Book of Ceremonial Magic, de Arthur E. Waite, que outrora já fora publicado como Book of Black Magic and Pacts ou Livro da Magia Negra e dos Pactos com Demônios.

Paganismo – Termo geral para religiões pré-judaico-cristãs e não-judaico-cristãs. Diferente do que se pensa, não se refere apenas a religiões não-cristãs que se baseiam exclusivamente em ciclos agrários, fertilidade e politeísmo. Ele passou a ser usado pouco depois da institucionalização da Igreja de Roma como a religião oficial do Império Romano, o que levou à repressão dos demais cultos politeístas nas grandes cidades da antiguidade. Assim, pelo fato dos antigos adoradores dos velhos deuses terem se refugiado nas áreas rurais (local onde tais politeísmos resistia mais), distanciados das cidades, os bispos católicos fizeram do termo pagão (do latim paganus, que é: “pessoa do campo, da área rural. Camponês, caipira, saloio”) um sinônimo de gentio, que era o termo recorrente para designar todos os não-monoteístas. Hoje, há dois tipos de paganismo principais: o neo-paganismo e o reconstrucionismo. Neo-paganismo é a prática modernizada das religiões pagãs antigas, e os chamados reconstrucionistas são aqueles que buscam praticar as Vias Antigas (ver) da forma mais tradicional e fiel possível. Diferente do que muitos pensam também, paganismo NÃO É sinônimo de bruxaria. Paganismo é uma religiosidade exotérica (ver), e bruxaria é uma arte e um ofício que pode ser tanto exotérico quanto esotérico (ver).

Pedra Vidente – Pedra-de-Ver.

Pedra de Ver (o futuro ou o passado)– (do inglês Show Stone e Seeing Stone) Cristal ou Bola de Cristal para escriar (ver).

Pedra para Escriar - Pedra-de-Ver.

Pedra para Ver - Pedra-de-Ver.

Pendragon – Título cerimonial para o Rei Sagrado de Albion, casado com a Deusa da Terra.

Pêndulo – Ferramenta de adivinhação. O pêndulo, após consagrado, é segurando sobre uma mesa, faz-se a pergunta, e então caso ele balance para os lados, a resposta é não, e caso balance pra frente e pra trás, é sim. Também pode ser usado em cima de mapas para encontrar itens escondidos.

Pantáculo – (não confundir com pentáculo) – Talismã (ver).

Pentáculo - Estrela de 5 pontas – penta-ângulo ou pentagrama, rodeado por um círculo. O símbolo mais famoso ligado às bruxas “da vida real”.

Pitonisa – Qualquer adivinhadora e profetisa grega, em geral do Deus Apolo. O termo tem origem em Píton, a serpente que, de acordo com a lenda, foi morta por Apolo. A partir daí, suas profetisas e profetas passaram a receber o nome de pítons e pitonisas. Hoje em dia o termo é usado para identificar os que praticam adivinhação com o auxílio de espíritos-guia, bem como os próprios espíritos adivinhantes, e, de uma forma distante, um sinônimo para “necromante” e, em alguns casos, “bruxo (a)”.

Pontífice – Na Roma Antiga, era quase um equivalente de um hierofante (ver), porém, que possuía mais funções políticas e religiosas fora dos rituais. A palavra significa “construtor de pontes”, no sentido que um pontífice representa um feitor de elos entre o mundo mortal e o divino. Os pontífices, na antiga religião romana, eram sumo-sacerdotes responsáveis por, entre outras coisas, realizar os sacrifícios mais solenes nos feriados romanos, zelar pela lei dos ritos de culto aos antepassados e funerais de pessoas ilustres, realizar cerimônias de purificação e purgação da população para evitar coisas como praga e seca, ajustar o calendário romano de acordo com a astronomia da época, fiscalizar os casamentos dos chamados patrícios do período, sagrar templos, bosquetes sagrados e objetos de culto, etc. Os pontífices eram regidos pelo Pontifex Maximus, ou Sumo-Pontífice, também conhecido como Papa, e tal homem era o chefe supremo de todos os colégios religiosos, incluindo o das Virgens Vestais, e de tudo que fosse relacionado à religião no Antigo Estado Romano. Algumas tradições pagãs e de bruxaria, como a sabeísta, possuem, assim como a religião romana, o título de Sumo-Pontífice para ser concedido ao alto sacerdote escolhido para ser o líder supremo de toda a tradição.

Portal – É a extremidade do círculo de magia, a parte pela qual um bruxo ou bruxa entram no espaço sagrado, geralmente posto no canto nordeste do círculo. O círculo passa ser então o Inter Mundi, o mundo entre os mundos.

Portento – Nome latino para presságio, predição ou agouro vindo dos Deuses.

Povo Élfico – Termo para definir os pictos, que diz-se que foi o povo que herdou boa parte da cultura dos nefelins (ver Sangue-Bruxo)

Projeção Astral – Viagem Astral (ver)

Projeção Psíquica – Nome rosa-cruz para Viagem Astral (ver).

Psicomancia – Divinação por meio da alma dos mortos. Um termo mais formal para necromancia (ver) com intenções divinatórias.

Puxar a lua (ou o sol) para baixo – ver “Atrair a lua (ou o sol) para a baixo”.

Q

Quatro Mundos – Trata-se de um conceito metafísico do esoterismo ocidental, que diz que o cosmo é como um ser composto de quatro estados principais de existências: o Divino, o Espiritual, o Mental e o Material. Dentre estes grupos estão contidos muitos outros reinos relacionados com os conceitos do Outromundo (ver).

Quatro Ventos – Personificados no esoterismo como espíritos ou deuses, muitos bruxos tomam tais deuses simplesmente como outros nomes para os Senhores das Quatro Torres de Vigia dos Quadrantes. Na Mitologia Romana os Quatro Ventos tem natureza elemental e seus nomes e seus quadrantes são: Boreás, do Norte; Euro ou Eurus, do Leste; Notus, ou Noto, do Sul; e Zéfiro ou Zephyros, do Oeste. Diz também que Eles são regidos por uma grande divindade não-elemental chamada Éolo ou Aelus (que é daonde vem o prefixo éol que denota algo a ver com o vento, como em eólico.) que os mantêm unidos.

Quatro Virtudes Herméticas – São as palavras-guia de muitos esoteristas ocidentais. As Quatro Virtudes Herméticas são: Saber, Ousar, Querer e Calar. Uma de suas muitas interpretações é: Saber significa estar preparado para o conhecimento que irá receber, ou seja, ESTAR CIENTE que o conhecimento da Arte não é um qualquer e portanto, merece uma atenção e cuidado especial. Ousar significa TER INICIATIVA e ATITUDE nos trabalhos esotéricos, algo muito importante em muitas ordens e tradições. Querer significa ter a chamada “coceira de Prometeu”, que é, buscar com coração sincero e com intenções virtuosas, e fazer isto porque realmente quer aprender, e JAMAIS continuar por obrigação ou por vontade de terceiros, sendo que o prosseguir sem vontade própria é o principal razão que fez as grandes religiões ocidentais (em especial o catolicismo) estarem em vergonhosa decadência, e também prosseguir sem motivos egoicos ou mesquinhos. E por fim, CALAR, uma virtude que, infelizmente, é esquecida por vários praticantes (tipicamente simpatizantes e pseudobruxos) da Arte atual. Significa você estar ciente que, pelo saber que você recebe não ser um qualquer, ele deve ser tratado da mesma forma que era nas antigas ordens de mistérios: com reverência, veneração e respeito! Isto quer dizer que não se deve usá-lo para SE VANGLORIAR, e tampouco deve-se falar dele com qualquer um, principalmente com não-interessados e zombadores. Pois já dizia o Salmo 1: “Bem-aventurado o homem que não se assenta na roda dos escarnecedores. [...]Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.”

Quebrantar – Lançar o mau-olhado voluntariamente (ver mau-olhado)

Quebranto – Maldição lançada com uma olhadela – desconsiderada. Ver mau-olhado.

Quimbanda – Também “Kimbanda” ou “Kiumbanda”, trata-se de um culto afro-brasileiro, focado mais no contato e trabalho com as entidades mensageiras, conhecidas como Exús, Pomba-Giras e Povo da Rua. A palavra significa “feiticeiro” em banto, e tem sido preconceituosamente taxada de “linha negra” da umbanda e de culto de magia negra, o que levou à segregação de muitos quimbandeiros e à proibição de abertura de muitos terreiros adeptos desta tradição de feitiçaria pelo Brasil. Para a forma Kiumbanda há outra versão para a origem do termo, dizendo que vem do kigongo e significa “caminho da caveira”. Diferente do que se diz também, a Quimbanda ou Kiumbanda possui sim uma doutrina própria e até mesmo uma hierarquia (ver Mulôji).

R

Raça de Abel – Termo que se refere àqueles que não fazem parte da Raça de Caim, que não possuem o chamado “sangue-bruxo”. Também são chamados de abelinos. Pode ser tido também como um sinônimo estrito de “cowan” (ver).

Receita de Bolo – Gíria bem humorada entre magistas brasileiros, refere-se a uma explicação passo-a-passo e detalhada de um feitiço ou ritual mágico/místico, bastante comum em diversos livros ocultistas e exotéricos sobre magia.

Rei Azevinho – o Deus do ano que está por começar, do Dia das Bruxas à Noite das Bruxas.

Rei Carvalho – o Deus do ano que está por terminar, da Noite das Bruxas até o Dia das Bruxas.

Rei Sagrado – Título geral para o Deus Chifrudo.

Registros Acásicos – ver Manto Ódico.

Renascer Atávico – É um estado de consciência no qual o mago ou bruxa conecta-se com com seu estado principal de consciência. Normalmente tais estados estão ligados a memórias ancestrais. O propósito do Renascer Atávico é o de despertar a memória ancestral, o depósito do saber antigo. A teoria racional por trás desse ritual é que dentro do DNA de uma pessoa estão impressas uma corrente de associações de memórias. O medo do escuro, de um determinado animal, ou de um lugar pode ser visto como uma memória ancestral herdada, bem como talentos naturais, habilidades fenomenais e até mesmo poderes psíquicos podem ter ligação com a genética. É por isso que bruxos hereditários afirmam que a linhagem sanguínea é tão importante.

Repercussão – Fenômeno de reprodução de injúrias recebido por formas espectrais projetados sobre o corpo que as absorve. Em outras palavras, significa que tudo que o corpo psíquico sofrer enquanto estiver fora do corpo físico, o corpo físico será afetado da mesma forma.

Runas - Antiga forma de escrita mágica ou alfabeto hieroglífico usada pelas feiticeiras, criada (diz-se) pelo Papa Honório, que foi um dos pontífices (e não foi o único) que se envolveu com feitiçaria e ocultismo no passado. Pode ser também um sinônimo geral para feitiços.

S

Sabá – (do inglês Sabbat) Encontro de feiticeiros em forma de festival quaternário ou semi-quaternário, em bruxaria moderna como a Wicca. Em ramos tradicionais, o Sabá é o que os ocultistas chamam de Templo Astral (ver).

Sacra Strega – Um nome italiano para a Deusa e Rainha das Bruxas, Aradia.

Sacrifício – do latim “Sacro Ofício”. A prática do sacrifício ainda é considerada um tabu por muitos cultos pagãos e de feitiçaria. O mais tradicionais admitem praticar o de animais, no entanto, o animal é preparado de forma que sinta o mínimo de dor, e nada do seu corpo é desperdiçado, sendo em geral usado para um ágape, e o espírito do animal é honrado pelos sacrificadores após o ato. Os mais modernos em geral são adeptos do sacrifício “simbólico”, que é, oferendas de flores e incenso, e imolação de bonecos vodu no caso de um ritual de maldição. Não podendo esquecer, sacrifícios humanos, principalmente o infame ato conhecido como infanticídio ritual ou sacrifício de crianças, apesar de haver chance sim de terem sido praticados nos tempos antigos, NÃO É aceito nas tradições sérias de bruxaria atualmente, sejam modernas, sejam tradicionais.

Sagrar – Consagrar; dedicar ao uso mágico, místico ou religioso.

Salamandra – Elemental do fogo (ver Elementais)

Samhain – (Pronuncia-se Sôuem) Termo pagão para o Dia das Bruxas, de origem druida.

Sangue-Bruxo – O Sangue-Bruxo é o Mistério Maior dos Bruxos, do qual não se pode falar muita coisa. Porém, do que pode ser dito, sabe-se que outros nomes para o sangue-bruxo são sangue-de-elfo, sangue-de-fada, sangue-de-anjo e sangue-de-Caim. Esses termos vêm da história simbólica da origem dos bruxos, que é inspirada em mitologia gnóstica. O Livro de Enoque, juntamente com Gênesis, capítulo 6 nos conta que, após haver a rebelião no Altíssimo Céu, os anjos que se opunham aos desígnios do Criador do Universo (o Demiurgo) foram exilados na Terra. Então, estes anjos, chamados “ben Elohim” ou “filhos de Deus” pelo texto bíblico e de “ben shamayim” ou “filhos do céu” pelo livro de Enoque, viram que as “filhas dos homens” (à época, descendentes de Caim e de Seth) eram “formosas”, e decidiram se unir com elas, gerando o que mais tarde veio a se chamar e a se perpetuar de diversas formas simbólicas em rituais de bruxaria como o “Casamento do Céu com a Terra”. A partir deles surgiu a raça híbrida que a Bíblia chama de “os nefelins”, que são os pais espirituais dos bruxos hereditários, a Raça de Caim. Como saber então, em algumas poucas coisas que se pode revelar, se possuo o “sangue-bruxo”? Primeiramente isso é algo relacionado ao atavismo (o que exigirá uma pesquisa da árvore genealógica), e é uma questão muito complexa de vários fatores que encarnam um feiticeiro de verdade. Lembremo-nos também que, se tratando de Gnose, esta história é meramente simbólica, e ela refere-se, basicamente, aos sentimentos interiores de um verdadeiro praticante de bruxaria. Como por exemplo, a sensação de união com céu e terra. União com o céu manifestada por um extremo interesse em assuntos relacionados à astronomia e cosmologia, bem como pela sensação de contemplação além do normal ao olhar as estrelas, quase como se a sua “verdadeira casa” fosse lá, entre os astros (simbolismo dos anjos), e união com a terra, que é a sensibilidade às forças sutis da natureza, como clarividência, sensitividade, clariaudiência, bem como sentir imenso prazer (mais do que uma pessoa normal sentiria) ao andar por uma praia sentindo o frescor do vento, ou andar descalço em grama molhada, além é claro, e uma poderosa força de vontade, e de um marcante espírito indomado e batalhador (que é o simbolismo de Caim).

Santeiro (a) – (do espanhol santero (a)) Praticante de Santeria, uma tradição feiticeira de raízes africanas existente no México e em outros países da América central e Caribe. O termo significa “Caminho dos Santos”, que foi a melhor forma que os primeiros santeiros encontraram de proteger seu culto e seus fiéis dos autos-de-fé da Igreja, sincretizando as entidades e divindades africanas com os santos católicos.

*Santo (a) – Do latim “Sanctus” e “Sancta”. Antes da Igreja de Roma tomar o título para si, e usá-lo para identificar os que passaram pela canonização, nos tempos da Roma pagã um “santo” ou “santa” era uma pessoa possuída por uma deus ou deusa, como Júpiter, Hades, Diana, etc. Isso significa que o alto sacerdote e a alta sacerdotisa podem ser chamados de "santos" após incorporarem os deuses do sol e da lua durante os festivais sazonais.

Santigar – Benzer; abençoar algo ou alguém.

ScryEscriar.

Seidr – Termo nórdico para uma forma de magia praticada pelos sacerdotes-adivinhos da Deusa Freya. Acredita-se ser o protótipo da bruxaria da Idade Média.

Selar – Encerrar o ritual. Geralmente isto é feito através da pronúncia de alguma palavra de finalização, marcando o ponto em que o ritualista deve parar de pensar na cerimônia que realizou, ficar confiante a partir daí que realizou um trabalho bem feito, e voltar às suas atividades mundanas. Pois repensar e “regurgitar” o ritual mentalmente, após tê-lo realizado, é um sinal de que o desejo não foi exteriorizado, e, portanto, o rito ou feitiço será ineficaz. As palavras mais comuns para selar um ritual são “assim seja!”, “assim seja feito!”, “assim está feito!”, “está feito!” (em latim “factum est”), “Amém”, e “Amém-Rá” (ver).

Selo – “Assinatura” de um demônio ou espírito, também chamado sigilo. Selo é o termo ocultista para o que em outras tradições feiticeiras se conhece como vevé (no vodu) e ponto-riscado (nas tradições afro-brasileiras).

Senda – Vertente de pensamento, religião ou filosofia arcana. Termo genérico para os caminhos espirituais que um esoterista segue. Esta é a tradução correta do termo inglês “Path”, quando este se referir a um ramo do esoterismo, sendo a tradução “caminho” uma forma de decalque, pois opta-se pelo termo “senda” justamente por significar “caminho ESTREITO”, para lembrar que os caminhos esotéricos não são para multidões, mas para minorias seletas. Exemplos de sendas incluem a Senda do Rosacrucianismo, a Senda da Bruxaria, a Senda da Maçonaria, a Senda da Alta Magia, etc. Um adendo interessante a se dizer sobre esses caminhos é o provérbio do antigo sábio chinês e mago taoísta Zuo Ci: “a Senda para o Místico nunca termina.”

Senda Óctupla – Também chamado de Roda dos Bruxos, é um termo que se refere aos oito aspectos tradicionais de treinamento mágico em algumas tradições de bruxaria que devem ser dominados pelo bruxo ou bruxa, a fim de se tornar um adepto ou adepta. Tais aspectos são:

1 – Disciplina mental através de jejum e disciplinas físicas

2 – Desenvolvimento da Vontade através de imaginação, visualização e meditação.

3 – Estados alterados de consciência e uso moderado de substâncias psicoativas.

4 – Poder pessoal, projeção de pensamentos, geração e atração de poder.

5 – Saber das Chaves: conhecimento e práticas ritualísticas; uso de encantamentos, feitiços, símbolos, mandracos e talismãs.

6 – Desenvolvimento psíquico e controle dos sonhos.

7 – Elevação aos planos, Projeção Psíquica e Mental.

8 – Erotismo, sensualidade e Magia Sexual.

Esta é uma versão moderna, adaptada e interpretada com base numa Senda mais antiga, cujos aspectos eram os seguintes, muitos dos quais, claro, hoje em dia seriam vistos como bizarros e excêntricos, para não dizer questionáveis:

1 – Trabalhos de Transe.

2 – Uso moderado e experiência com substâncias psicoativas, como o álcool.

3 – Rituais de comunhão com música e dança.

4 – Saber e práticas ritualísticas; uso de feitiços, encantamentos e símbolos.

5 – Erotismo e rituais de Magia Sexual.

6 - Disciplina mental e corporal com inclusão de rituais de açoitamento.

7 – Experiência com cordas e amarrações cerimoniais e ritualísticas.

8 – Práticas meditativas e contemplativas.

A Senda Óctupla portanto, é uma diretriz aos bruxos e bruxas interessados nos passos que os Antigos criam ser os necessários rumo ao poder pessoal. Um estudo pessoal e profundo de cada um deles pode dar ao feiticeiro ou feiticeira ferramentas com as quais níveis mais profundos de saber mágico possam ser obtidos.

Senhora - Mulher líder de um conventículo; dama. Entre outros nomes, ela pode ser chamada também de Herodias, Andred, Húlda, Morgana, Astarte, Ishtar, Brígida, entre outros.

Sentinela - Guardião elemental de um local ou pessoa, porém também pode se referir a um dos Antigos (ver) ou Vigias.

Servo - Familiar (ver)

Shimming, Shapeshifting ou ShapechangingMudar de forma, tomar a forma de um animal. Metamorfose.

Sibila – Antigo nome greco-romano para as pitonisas, as adivinhas e profetisas daqueles países.

Sigilo - Selo (ver)

Sidhe – É um termo em forma escocesa e irlandesa do gaélico para se referir às fadas. O termo relembra uma pequena colina ou outeiro, que no antigo mito e lenda eram as moradas das fadas. Segundo a tradição, os portais para entrar e sair nas moradas das sidhes eram abertos no Dia das Bruxas, e durante este período as sidhes se moviam livremente pelo mundo material. Graças a essa conexão com a época do ano onde as trevas reinam e levando em conta a natureza antiga (talionista) das fadas, o termo foi a inspiração para a criação do vocábulo Sith, da série de filmes de ficção científica Star Wars, ou Guerra nas Estrelas.

Siderito – Amuleto feiticeiro de magnetita. Está entre os mais poderosos

Silfo – Elemental do ar (ver Elementais)

Simpatia – Nome comum dado à feitiçaria popular e à magia simpática no Brasil; folk magic brasileira. Simpatia nada mais é do que um feitiço, feito sem auxílio de círculos ou conjuros complexos, muitas vezes com simbolismo cristão-católico, que está a tanto tempo no gosto do povo, em especial o de fé católica, que as pessoas ao pôr, por exemplo, uma estátua de Santo Antônio de cabeça para baixo em uma jarra de sal e cantar um verso ameaçando o santo de deixa-lo ali até que consigam arranjar um marido, ou ao desatar uma corda enozada várias vezes e queimar pedidos em um caldeirão para Nossa Senhora Desatadora dos Nós em busca de solução de problemas, nem se dão conta que estão fazendo feitiçaria, tamanha é o poder de fascínio exercido pelo processo e da sorrelfa imbuída pela Igreja Católica nas práticas pagãs.

Símplice – Filtro derivado de uma única erva.

Simulacro – Efígie ou imagem (geralmente miniatura) de um ser que é alvo de uma feitiçaria, como um boneco, uma pintura, ou um desenho. Comumente usado em envultamentos (ver).

Spook(pronúncia: spúc) –

1- Sombra ou fantasma

2- Espírito da Natureza

3-Elemental

Sombra, Vulto – Espírito de um morto.

Sortilégio

(1) Objeto usado em divinações, como por exemplo, as varetas na geomancia.

(2) Qualquer operação divinatória em si.

Sortista – Pessoa que pratica alguma forma de adivinhação, geralmente como profissão.

Southways - Deosil (ver)

SpeculumEspelho mágico ou cristal para escriar (ver). O espelho mágico basicamente é um vidro de relógio de químicos que tem a parte convexa pintada de esmalte escuro misturado com absinto.

Súcubo – Forma espectral feminina, projetada para invadir a mente dos alvos com sonhos lascivos. Ver Forma Espectral.

T

“Tacar um Foguetinho” – Gíria feiticeira brasileira, significando “lançar feitiço”.

Talismã – Objeto de Poder (ver)

Tebas, Runas de – Escrita de Honório (ver)

Tempo da Fogueira – Do inglês “Burning Times”, que é o termo popular (porém não acurado) – usado por neo-pagãos e wiccanos para o período de caça às bruxas.

Templo Astral – É um Reino Místico criado através de técnicas que incorporam meditação, visualização e direcionamento de energia. O Templo Astral então torna-se um local entre os mundos no qual o mago ou místico não tem mais limites pelas restrições da realidade profana. Conceitos semelhantes ao Templo Astral podem ser vistos em ordens rosa-cruzes como a Antiga e Mística Ordem da Rosa-Cruz, com o seu Sanctum Celestial, e outras, também rosa-cruzes, com o seu Templo do Espírito Santo. Na Bruxaria Tradicional também há um conceito semelhante, o qual é chamado de Sabá, Campo do Bode, Blockula, ou simplesmente de A Encruzilhada.

Têmporas – São os três dias antes do dia de um solstício ou de um equinócio. Eram tidos como períodos em que os poderes da natureza ficavam vulneráveis à contaminação. Portanto, deveriam ser protegidos de espíritos malignos e outras forças imundas. Fogueiras se acendiam e deuses eram invocados para a proteção. Os Benandanti (ver) travavam batalhas mágicas neste período com as que eles chamavam como sendo as Malandanti (ver) para garantir colheitas fartas e rebanhos férteis. Alegavam viajar enquanto dormiam e tinham Santa Luzia como padroeira pessoal. Estudando-se a fundo esta seita, descobre-se que eles tinham raízes pagãs, pois a sua padroeira Santa Luzia tem todos os atributos e traços da antiga Deusa romana Lucina, Deusa da Luz e do Esplendor. Depois do cristianismo se impor como a religião oficial da Europa, as têmporas foram cristianizadas para desencorajar o paganismo. Na reforma feita pela Igreja de Roma, os quatro grupos de três dias passaram a ser: a quinta, sexta e sábado após o festival de Santa Luzia em 13 de dezembro, após o primeiro domingo da Quaresma, após o domigo de Pentecostes e após o Dia da Exaltação da Santa Cruz, em 14 de setembro.

Títere - Bonífrate (ver)

Tubal-Caim – Deus protetor dos ferreiros e dos cavalos, também um nome tradicional do Deus Feiticeiro como um avatar de Lúcifer.

Turíbulo – Braseiro de carvão ou incensário.

Transvecção – Termo de estudiosos de psiquismo para se referir à levitação, porém também é usado para se referir, em alguns casos, à projeção psíquica, e ao processo de formação do “caçador” ou fetch (ver Forma Espectral).

Tribuna Externa – Em bruxaria refere-se aos materiais e práticas englobados para serem usados em benefício de cowans e não-iniciados na Arte. É costumeiro basear um pouco os materiais na essência dos ensinamentos e práticas iniciáticas, enquanto ainda protege-se o que é juramento obrigatório.

Tribuna Interna – Em bruxaria refere-se aos materiais e práticas englobados para serem ensinados e usados somente aos iniciados na Arte. O material da Tribuna Interna contém as chaves mágicas ritualísticas que dão poder aos ritos de bruxaria.

U

Unguento – Óleo essencial usado para purificar, benzer, e curar.

Unguento do Voo das Bruxas – do inglês “Flying Ointment”, algo como “Unção Voadora” ou “Unguento Voador”, também conhecido como o “lifting balm” (literalmente, “bálsamo elevador”) e sabbati unguenti (unguento do sabá), trata-se de uma mistura de ervas narcóticas utilizadas para facilitar a viagem espiritual, ou projeção psíquica (ver). O Óleo do Sabá, um óleo caseiro feito com almíscar, aipo, açafrão e algumas ervas venenosas como meimendro-negro e cicuta, é utilizado por alguns bruxos modernos antes de eles festejarem um sabá (na acepção moderna da palavra, como festa sazonal). Esse óleo é passado na sola dos pés, nos joelhos, no períneo e nas têmporas enquanto recita-se uma prece ao deus (se for homem) ou deusa (se for mulher) oficial do conventículo.

V

Vampiro – Forma espectral predatória, projetada para sugar a energia vital das vítimas. Ver Forma Espectral.

Vate – Popularmente é um adivinho, mas também significa poeta místico ou religioso. A palavra significa “profeta” em latim. A palavra Vaticano significa literalmente “colina da profecia”, e é uma das muitas colinas que fazem a fama de Roma, aonde supostamente foram martirizados os apóstolos São Pedro e São Paulo.

Velhas Leis – Também chamadas Ardains, são um conjunto de leis e regulamentos antigos da Arte. Agora acredita-se que Gerald Gardner (ver Gardneriano) as inventou nos anos 50.

Velho Nick – do inglês Old Nick, um apelido para o Deus Chifrudo.

Velho Chifrudo – do inglês Old Horny, outro apelido para o Deus Chifrudo.

Veneficium – Prática criminosa relacionada aos feiticeiros no período romano. O termo servia pra designar tanto a prática de feitiçaria maléfica quanto o crime de envenenamento, pois na época, envenenamento era muito relacionado aos feiticeiros pela maioria deles serem também herbolários, e ambos os casos eram punidos com bastante rigor pela lei. Veneficium é também a versão latina do termo grego Pharmakeia, [pronúncia: farmá-quia], que também significava tanto feitiçaria quanto conhecimento de venenos. Não precisa-se nem comentar que o venefício visto como malefício ainda é considerada uma prática criminosa em algumas partes do mundo, e será sem dúvida se se referir a envenenamento.

Verendo - Báculo (ver).

Véspera de São João – Festival do Verão (No hemisfério Norte. No Sul, a véspera do dia de São João seria o do inverno.). Ao que parece, o costume de acender fogueiras e celebrar o calor se manteve no hemisfério sul, mesmo que o inverno seja a estação da época.

Viagem Astral – Também chamada Projeção Astral, ou de Projeção Psíquica, pelos rosacrucianistas, trata-se da projeção do corpo astral à viagens neste plano e no plano etéreo. É também conhecida como “viagem espiritual” e como “visão remota” pelos parapsicólogos modernos. Através da Projeção Psíquica, pode-se formar o que se conhece por “caçador” ou fetch (ver Forma Espectral).

Vias Velhas, ou Vias Antigas – Termo para se referir às religiões pré-cristãs, incluindo as raízes judaicas e gnósticas do cristianismo. Sinônimo não muito específico de paganismo (ver).

Vibratium – Atmosfera mágica ao redor de uma pessoa, lugar ou coisa.

Vigia – Sentinela (ver)

*Vinus Sacratum – do latim “Vinho Sacramental” ou “Vinho Sacro”- Vinho ou vermute usado para comunhão fraternal dos feiticeiros dentro dos conventículos; Vinho do Sabá.

Vodum – Pertinente ao vodu, a religião e tradição feiticeira do Haiti.

Volt – Objeto de ligação (ver)

Vórtice – Cone de Poder (ver)

Voz do Vento – Termo mais comum em Wicca, trata-se de uma referência geral às habilidades psíquicas e intuitivas adquiridas em rituais mágicos. Em geral diz-se que quando um bruxo canaliza ou sente-se controlado, inspirado por um espírito, demônio ou divindade, ele está ouvindo a “voz do vento”. Pode significar também alguém que tenha acesso aos Registros Acásicos e pode penetrar nas memórias antigas, marcadas no manto ódico (ver). Também pode-se referir a uma pessoa capaz de ouvir vozes de espíritos ou de demais entidades imateriais.

Vulto – ver Sombra.

W

Walpurgisnacht – (Pronúncia: Valpurguisnácte) Outro nome para a Festival Feiticeiro da Noite de Beltane, em 30 de abril. A Noite das Bruxas.

Walpurgis’ Night(Pronuncia-se Válpurguis Náite) Tradução para o inglês de Walpurgisnacht, significando em português “Noite de Walburga”, que é o nome cristão alemão para o feriado da Noite de Beltane. É o feriado cristão que substituiu o antigo feriado pagão, porém com o mesmo simbolismo, que inclui fogueiras e celebração da fertilidade e fecundidade da natureza. A lenda diz que na madrugada do dia 30 de abril para o 1º de maio, bruxas e feiticeiros subiam o monte Brocken na Alemanha para realizar danças selvagens ao redor de fogueiras, benzer seus animais familiares, e para realizar enormes orgias ao ar livre. E Santa Walpurga ou Walburga era uma monja católica que nasceu em Sussex no final do século sete ou no inicio do oitavo, e foi educada em Winburn, Dorset, onde, depois de “ouvir o chamado” e tornar-se freira, permaneceu lá por vinte e sete anos. Ela, então, por insistência do seu tio, São Bonifácio, e seu irmão, São Wilibald, começou com algumas outras religiosas a construir conventos na Alemanha. Seu primeiro estabelecimento foi em Bischofsheim, na diocese de Mainz, e dois anos depois (754 A. D.) ela se tornou abadessa da ordem beneditina de Heidenheim, dentro dos limites da diocese do seu irmão Wilibald em Eichstadt na Bavária, onde outro irmão, Winebald se tornou abade em outro mosteiro. No falecimento de Winebald em 760 ela o sucedeu em seu lugar, mantendo a superintendência de ambas as casas ate a sua morte em 25 de fevereiro de 779. Seus despojos foram transferidos para Eichstadt, onde ela foi enterrada numa gruta, de onde saiu uma espécie de óleo betuminoso, mais tarde conhecido como Óleo de Walpurgis, considerado como tendo eficácia milagrosa contra doenças. A gruta tornou-se um lugar de peregrinação e uma grande igreja foi construída sobre o local. Ela é comemorada em varias épocas, mas principalmente na noite de 30 de abril para o 1º de maio. Surpreendentemente o bastante, todo esse discurso incoerente foi achado necessário para desculpar a continuidade do festival pagão mais importante do ano depois do Dia das Bruxas: o grande ápice do equinócio da primavera!

Ward –

1- banir, assim como em “Ward off”

2- proteger algo, um lugar, ou alguém

3-Guardião do Círculo de Magia, seja humano ou espírito

WarlockDesde que surgiu, esse termo recebeu diferentes significados através das eras. Estima-se que seu primeiro uso foi na obra Discouverie of Witchcraft, de Reginald Scot, denotando um praticante masculino de bruxaria. Etimologicamente é um termo de abuso significando “perjuro, traidor”, ou mesmo “endiabrado”, “malévolo” e “demoníaco”, porém agora é usado geralmente nos Estados Unidos significando praticante masculino de bruxaria, ou mago (ver). Outros o usam para se definir a um bruxo especializado em purificações de ambientes negativos e banimento de entidades malignas, quase como a versão feiticeira do exorcista da Igreja Católica (ver Exorcismo, para saber onde conseguir o ritual de exorcismo completo dos católicos na internet.)

Wicca – (Pronunciada uí-tcha, ao invés de uí-ka, que é o costume popular) é uma religião neo-pagã iniciática de bruxaria moderna, em alguns casos dualista, outros politeísta, de sacerdotes para sacerdotes, fundada nos anos 50 por Gerald Brosseau Gardner, que opera formas de magia baseadas em aspectos pagãos de várias culturas antigas e em ritualísticas adaptadas de ordens herméticas e mágicas do século 20, das quais o seu fundador participava, e possui, em geral, três graus de sacerdócio. Auto-iniciação não é vista como válida, ao menos nas ditas vertentes tradicionais da Wicca, como a gardneriana (ver) e a alexandrina (ver).

Wiccacraefte – Palavra inglesa antiga para witchcraft, (pronúncia: uítchi-cráft. Mesma pronúncia para a forma arcaica) ou bruxaria.

Wiccano (a) – Bruxo (a) iniciado em Wicca. Ao contrário do que alguns dizem também, o neologismo “wiccaniano (a)” não é o termo correto para se referir ao praticante desta fé. Se fosse, o termo em inglês seria “Wiccanian”, e não “Wiccan”.

Widdershins, Withershins – Sentido anti-horário, sinônimo de northways ou “contra ou sol”. Também refere-se a sendas lunares. Exemplos de sendas lunares podem ser as tradições de bruxaria e Wicca ditas “diânicas”, que aceitam apenas mulheres como membras. E agora com o afrouxamento dos preconceitos contra gays e lésbicas, estão sendo criadas pelos mesmos ordens e sendas ditas “mercuriais”, ou seja, ordens voltadas para o público homossexual. Um exemplo de uma senda mercurial é a (hoje falecida) Ordem de Ganimedes, para homens gays. Eles recebem o título de mercuriais porque, dizem algumas fontes, o deus romano Mercúrio era andrógino.

Y

Yule - Festival de Inverno das Bruxas, onde comemora-se o retorno da luz e do deus-sol. É a origem pagã do natal, e sua comemoração se dá com o uso dos mesmos símbolos adotados pelo cristianismo, pois este se inspirou no paganismo para conseguir arrebanhar mais adeptos. Símbolos estes incluem o pinheiro, a “lenha de natal” ou “yule log”, as bolas, a estrela polar, o Papai Noel, o hábito de dar presentes, o espírito de confraternização, entre outros.

Fontes:

HUSON, Paul, Mastering Witchcraft , G. P. Putnam Sons, 1971

O pequeno dicionário de bruxaria da respeitável revista online de paganismo e bruxaria The Cauldron Brasil, edição I, da primavera de 2004

FRISTCHER, Jack – Popular Witchcraft: straight from the Witch’s mouth. Madison, Wisconsin University Press, 2004

DRURY, Nevill – Dicionário de Magia e Esoterismo. São Paulo, Pensamento, 2011

GRIMASSI, Raven, Enciclopédia de Wicca e Bruxaria, São Paulo, Gaia, 2004

JACKSON, Nigel e HOWARD, Michael - os Pilares de Tubalcaim: a Tradição Luciferiana. São Paulo, Madras, 2008

JOHN JONES, Evan e VALIENTE, Doreen, - Feitiçaria: a Tradição Renovada. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1992

NOGUEIRA, Carlos Roberto Figueiredo – Bruxaria e História: as práticas mágicas no Ocidente cristão. Bauru, EDUSC, 2004

NOGUEIRA, Carlos Roberto Figueiredo – Nascimento da Bruxaria: da identificação do inimigo à diabolização de seus agentes. São Paulo, editora Imaginário, 1995

PIKE, Albert – Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry, Charleston, 1871

HALL, Manly P. – The secret teachings of all ages: an encyclopedic outline of Masonic, Hermetic, Qabbalistic and Rosicrucian symbolical philosophy. San Francisco, H. S. Crocker Company Inc. 1928

E incluem-se também os livros principais do mago francês Élifas Lévi a respeito de magia, religião, filosofia e cabalá, como o Dogma e Ritual de Alta Magia, a Chave dos Grandes Mistérios, Paradoxos da Sabedoria Oculta e Ciência dos Espíritos, todos disponíveis na net através do site da Sociedade das Ciências Antigas, cujo endereço está na lista de sites do meu blog. E fontes da internet incluem principalmente o site bruxariatradicional.com, excelente referência no que tange a ensinos acerca da Arte Tradicional das Feiticeiras. Muito recomendado.

Dedico este post à tia do meu avô materno Custódia Farias, sortista de tarô e estupenda benzedeira!

Com os melhores votos de Paz Profunda Inverencial

Eu sou,

Eleassar Baldur Rose

FELIZ DIA DAS BRUXAS!

IÔ EVOÉ!